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Correio da Manhã

Portugal
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Fernando Medina admite "erro grosseiro" e assume responsabilidade em desabamento no Metro de Lisboa

Autarca afirmou que túnel "só abrirá quando houver condições de segurança".
Correio da Manhã e Lusa 30 de Setembro de 2020 às 12:32
Imagens mostram trabalhos de reconstrução da estrutura do tecto do túnel do Metro da Linha Azul em Lisboa
Imagens mostram trabalhos de reconstrução da estrutura do tecto do túnel do Metro da Linha Azul em Lisboa FOTO: Direitos Reservados
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, afirmou esta quarta-feira que o desabamento de parte de um túnel do Metro de Lisboa na Linha Azul é responsabilidade da autarquia.

Em declarações aos jornalistas, Medina avançou que o acidente se tratou de "um erro grosseiro", e admite que a obra é alheia ao metro.



"Este problema que aconteceu decorre de uma obra da Câmara Municipal de Lisboa totalmente alheia ao metro, isto não é um problema que pré-existisse no túnel do metro, que houvesse uma fragilidade, que houvesse ali alguma dificuldade, não. Isto decorreu de um problema que é uma obra da Câmara, onde ocorreu um erro grosseiro, em que ocorreu uma perfuração na vertical do túnel do metro que não devia ter acontecido", afirmou Fernando Medina.

O presidente da autarquia frisou que o túnel "só abrirá quando houver condições de segurança" e relembrou que a confiança dos passageiros ganha-se com transparência.

De acordo com o autarca, "o túnel não tinha problema nenhum até ser perfurado na superfície", e tranquilizou os passageiros: "os túneis têm condições de segurança".

O desabamento de uma parte do túnel do metro na zona da Praça de Espanha, ocorrido ao início da tarde de terça-feira, provocou quatro feridos ligeiros.

Na altura do acidente, cerca das 14h30, estavam perto de 300 pessoas na composição que passava no local.

Insistindo em que foi feita "uma perfuração indevida" durante a obra, Fernando Medina sublinhou que foi instaurado um inquérito liderado por um especialista a indicar pela Ordem dos Engenheiros.

Esse inquérito deverá apurar "exatamente de quem é a responsabilidade do erro" ocorrido, se é um erro de conceção do projeto, da execução do projeto ou da fiscalização, ou até "uma combinação de fatores", afirmou o presidente do município.

Além disso, acrescentou, neste momento a Câmara de Lisboa, o Metropolitano e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) já definiram um plano de intervenção para repor as condições de segurança no troço do metro onde ocorreu o desabamento, de modo a que a circulação possa ser retomada o mais rapidamente possível entre as estações das Laranjeiras e do Marquês do Pombal.

Fernando Medina recordou ainda que deste a tarde de terça-feira, quando a circulação na linha Azul foi interrompida entre as Laranjeiras e o Marquês do Pombal, a Carris reforçou a oferta de autocarros para minorar os impactos da situação.

"O número de autocarros mobilizados é significativo", disse, acrescentando que se for necessário será "ainda mais reforçado" até ao restabelecimento da circulação na linha Azul.

Segundo o presidente do Metropolitano de Lisboa, esse restabelecimento deverá ocorrer "o mais tardar até sexta-feira de manhã".

Questionado sobre se este acidente irá provocar algum atraso na conclusão das obras na Praça de Espanha, previstas para o final do ano, Fernando Medina disse não ver razão para que haja alteração dos prazos, lembrando que no local onde o túnel do metro foi perfurado será construído um jardim.

As obras do novo Parque Urbano da Praça de Espanha começaram em 13 de janeiro e deverão estar concluídas este ano.

Na altura do lançamento da empreitada, Medina disse que a intervenção inclui "um número muito significativo de árvores", zonas de "clareiras de fruição", parques infantis, esplanadas e quiosques, retomando a água como "elemento central" do espaço.

A empreitada, lançada com um preço base superior a seis milhões de euros, inclui também uma transformação da rede viária atual em dois grandes cruzamentos.

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