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Correio da Manhã

Portugal
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"Foi para uma reza": Traficante que queria subornar Ivo Rosa diz que dinheiro era para bruxo

Luís Agostinho diz que os mil euros referidos nas escutas destinavam-se a pagar a um guia espiritual da Guiné.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) e Tânia Laranjo 28 de Janeiro de 2022 às 22:03
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"Foi para uma reza": Traficante que queria subornar Ivo Rosa diz que dinheiro era para bruxo
O traficante de droga apanhado em escutas a dizer à namorada que Ivo Rosa, o juiz do Tribunal Central, ia receber mil euros "para fazer um trabalhinho" no seu processo, diz agora que o dinheiro a que se refere não se destinava a nenhum suborno mas sim ao pagamento de serviços prestados por um bruxo guineense.

Luís Filipe Agostinho, que está em prisão preventiva, sujeito a vigilância eletrónica, conta em entrevista à SIC que as mensagens trocadas com familiares sobre o nome do juiz foram mal entendidas. "É uma absoluta mentira, jamais tentar corromper um juiz. Pedi à minha namorada que passasse o nome à minha mãe, para ela dar ao meu irmão", explica, adiantando que o nome do juiz seria necessário para os rituais a serem feitos pelo ajudante espiritual da Guiné.

O caso remonta a outubro de 2020. Ouvido por Ivo Rosa em primeiro interrogatório, o jovem traficante ficou em prisão preventiva, sujeito a pulseira eletrónica.

"Nunca tentei, nunca pedi ajuda para corromper nenhum juiz. Precisei do nome dele devido à minha crença, para uma reza que fizeram por mim", assegura Filipe Agostinho.

O advogado do jovem fala numa "caça às bruxas" no caso e garante que o cliente já se manifestou disponível para prestar todos os esclarecimentos ao Ministério Público.

A conversa em questão foi escutada pela PSP e, segundo noticia a revista ‘Sábado’, a certidão da mesma foi agora enviada para o Tribunal da Relação de Lisboa, por estar em causa um juiz de primeira instância. A suspeita tem de ser investigada pelo tribunal imediatamente superior.

Ivo Rosa já negou ter recebido qualquer quantia e disse mesmo desconhecer o processo.

O CM sabe, no entanto e para já, que a investigação está numa fase inicial. Nada mais há para além da escuta telefónica, o que por si só é insuficiente: o traficante poderia até saber que estava sob escuta e querer lançar suspeitas sobre o juiz que o tinha ouvido em primeiro interrogatório ou alguém poderia tê-lo burlado, dando conta de que o juiz de instrução criminal aceitaria receber dinheiro para decidir no sentido que os suspeitos desejariam.
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