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Correio da Manhã

Portugal

Governo abre inquérito à atuação policial durante detenção na Amadora

Mulher diz ter sido agredida por PSP. Agente nega e afirma que foi empurrado e agredido pela detida.
22 de Janeiro de 2020 às 12:41
Mãos do PSP. Agente alega que foi agredido e empurrado durante detenção
Braços PSP com agressões
Cláudia Simões foi hospitalizada, assim como o PSP
Mãos do PSP. Agente alega que foi agredido e empurrado durante detenção
Braços PSP com agressões
Cláudia Simões foi hospitalizada, assim como o PSP
Mãos do PSP. Agente alega que foi agredido e empurrado durante detenção
Braços PSP com agressões
Cláudia Simões foi hospitalizada, assim como o PSP
O Governo abriu um inquérito à atuação policial que decorreu durante a detenção de uma mulher na Amadora. 

Segundo um comunicado enviado às redações, o Ministro da Administração Interna determinou a abertura de um "inquérito para apuramento dos factos relacionados com a atuação policial ocorrida no domingo" após o pedido de intervenção do motorista de um autocarro de passageiros.

A PSP irá transmitir à Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) todos os elementos da averiguação interna que têm estado a realizar.

PS questiona ministro sobre atuação policial contra mulher na Amadora
O PS questionou hoje o ministro da Administração Interna sobre a atuação policial contra uma mulher detida no domingo na Amadora para esclarecer se o agente da PSP envolvido tem antecedentes de "utilização excessiva da força" e se utilizou "expressões racistas".
Num requerimento entregue hoje na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PS considera que, "a confirmarem-se as alegações de Cláudia Simões de que foi agredida posteriormente à algemagem e imobilização, tratar-se-á de condutas merecedoras da mais profunda reprovação, com relevância criminal e impróprias de agentes imbuídos de particulares deveres de respeito pela lei".

"Eventuais condutas censuráveis de Cláudia Simões, em momento anterior ou contemporâneo da sua detenção, poderiam merecer a censura dos tribunais, mas jamais a ação direta que é apanágio de outros contextos civilizacionais onde a vingança é tolerada e os direitos humanos são desrespeitados", sublinha-se no texto, embora salvaguardando que "o Partido Socialista respeitou, respeita e respeitará sempre as forças policiais, o seu papel fundamental na manutenção da ordem e da segurança e o seu papel estruturante na sociedade portuguesa".

Do ministério de Eduardo Cabrita os socialistas querem saber se "é comum a intervenção policial para dirimir conflitos resultantes do não pagamento de títulos de transporte de empresas públicas ou privadas" e se as lesões exibidas por Cláudia Simões "foram provocadas por ação policial e em que momento".

"O agente em causa possui algum antecedente de utilização excessiva da força? Enquanto decorre o processo de inquérito promovido pela Polícia de Segurança Pública, será aplicada alguma medida provisória ao agente? Há confirmação de que o agente terá utilizado expressões racistas para se referir à cidadã?", perguntam-se no requerimento assinado por sete deputados socialistas, entre os quais Eduardo Barroco de Melo, Maria Begonha e Joana Sá Pereira.

O Grupo Parlamentar socialista pergunta ainda "quais as ações desenvolvidas ou a desenvolver pelo Ministério da Administração Interna para impedir a utilização excessiva da força contra cidadãos mais vulneráveis".

A Polícia de Segurança Pública (PSP) anunciou terça-feira a abertura de um processo de averiguações sobre a atuação policial contra Cláudia Simões e da qual resultou numa denúncia contra o polícia de serviço.

Cláudia Simões, cidadã angolana de 42 anos, afirma ter sido detida e agredida por um agente da PSP na paragem de autocarros no Bairro do Bosque, concelho da Amadora, por não ter pago um bilhete de autocarro relativo ao transporte da sua filha de oito anos.

A mulher afirma ter sido violentamente agredida pelo agente, tendo sido divulgadas na comunicação social imagens nas quais se podem ver marcas no rosto.
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