Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Helicóptero do INEM que caiu em Valongo voava "abaixo das altitudes mínimas"

Helicóptero colidiu com uma torre de radiodifusão na Serra de Santa Justa em Valongo, em dezembro de 2018, causando a morte aos quatro ocupantes.
Lusa 10 de Março de 2020 às 18:35
Helicóptero do INEM que se despenhou em Valongo
Helicóptero do INEM
Helicóptero do INEM que se despenhou em Valongo
Helicóptero do INEM
Helicóptero do INEM que se despenhou em Valongo
Helicóptero do INEM
O helicóptero do INEM que colidiu com uma torre de radiodifusão na Serra de Santa Justa em Valongo, em dezembro de 2018, causando a morte aos quatro ocupantes, voava "abaixo das altitudes mínimas" autorizadas, concluiu a investigação.

"A investigação determinou como causa mais provável para o acidente a colisão da aeronave com a torre de radiodifusão, devido a voo efetuado abaixo das altitudes mínimas previstas na regulamentação", lê-se no relatório final do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a agência Lusa teve esta terça-feira acesso.

Em 15 de dezembro de 2018, o helicóptero, modelo Agusta A109S, ao serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e operado pela empresa Babcock, regressava à sua base de origem, em Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, após realizar "um transporte urgente" de uma doente para "um centro hospitalar do Porto".

Após o transporte, o comandante da aeronave, ao avaliar a meteorologia local, decide aguardar por melhores condições e, com a equipa, abandonam o heliporto em Massarelos-Porto para uma pausa num estabelecimento comercial próximo. Às 18:35 descolam em direção ao heliporto de Paredes-Baltar (no concelho de Paredes) para reabastecer.

"Recorrendo ao histórico de dados de voo na atual operação HEMS [Helicópteros de Serviço de Emergência Médica], nomeadamente quanto às aeronaves operadas, rotas utilizadas, condições de operação e equipamentos disponíveis nos heliportos de origem e destino, e se conjugarmos os voos realizados com as condições atmosféricas da região Norte do país, os dados sugerem que nem sempre são respeitados os mínimos meteorológicos, como foi o caso do voo do acidente", explica o GPIAAF.

A investigação realizada determinou que o helicóptero voava consideravelmente abaixo da altitude exigida, a fim de permitir ao piloto manter contacto visual com o terreno.

O relatório refere que "o piloto estava confiante enquanto conhecedor da área com inúmeros voos realizados em condições semelhantes", sublinhando que "a tripulação, ao não abandonar o voo [para Paredes-Baltar] e divergir para o Aeroporto do Porto, incorreu numa violação [das regras de voo]".

Os investigadores referem que, "apesar das horas ao serviço do piloto terem ultrapassado o limite previsto na lei, não foi possível associar as decisões e ações da tripulação a uma condição de fadiga".

O GPIAAF aponta outros fatores que contribuíram para o acidente em Valongo, distrito do Porto, que provocou a morte dos quatro ocupantes: piloto e copiloto, de 56 e 31 anos, um médico, de nacionalidade espanhola, e a uma enfermeira, de 47 e 34 anos, respetivamente.

Nomeadamente "a operação em heliportos sem rádio ajudas, forçando a manutenção de condições visuais com o terreno por parte da tripulação, com condições de visibilidade marginal potenciadas pela orografia, condições de luminosidade artificial no terreno e as condições atmosféricas locais".

As estações de rádio ajuda asseguram um conjunto de informações às aeronaves, que lhes permitem voar nas rotas estabelecidas, localizar aeródromos ou outros pontos significativos e cumprir os procedimentos de aproximação adequados.

Segundo o GPIAAF, "a envolvente organizacional da operação HEMS, sem a devida análise de risco do operador, associada à falta de soluções de abastecimento de combustível no heliporto de origem (Massarelos), a qual ditou a necessidade de reabastecimento intermédio no trajeto para o destino final em Macedo de Cavaleiros", é outros dos fatores contributivos.

"Por último, e apesar de não ter sido possível determinar se a sinalização noturna no topo da torre acidentada estava ou não operativa, foi também considerado fator contributivo a falta de sinalização noturna da torre acidentada num nível intermédio, bem como das torres adjacentes instaladas na Serra de Santa Justa, associada a lacunas na legislação respeitante às condições e responsabilidades pela fiscalização do balizamento dos obstáculos à navegação aérea", sublinham os investigadores.

O GPIAAF salienta que, "da investigação realizada, fica claro que as ações da tripulação, tiveram subjacentes condições latentes e causas profundas relacionadas com a organização e operação do serviço" de helicópteros de emergência médica.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)