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Correio da Manhã

Portugal
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IP apresenta queixa-crime por incêndio na antiga estação da Boavista no Porto

Fogo deflagrou na passada sexta-feira.
Lusa 17 de Dezembro de 2020 às 14:25
PSP
PSP FOTO: Sérgio Lemos
A Infraestruturas de Portugal (IP) apresentou uma queixa-crime contra desconhecidos na sequência do incêndio que deflagrou, na sexta-feira, na antiga estação da Boavista, no Porto, para a qual há um pedido de classificação, revelou esta quinta-feira a empresa.

Em resposta à Lusa, a IP refere que no mesmo dia do incêndio foi levantado um Auto de Notícia, tendo na quarta-feira "formalizado uma queixa-crime junto da PSP do Porto".

O incêndio que deflagrou na madrugada de sexta-feira, pelas 03:30, no edifício devoluto da antiga estação ferroviária da Boavista, consumiu, segundo fonte dos Sapadores do Porto, parte do interior e da cobertura do edifício.

Questionada pela à Lusa, a PSP escusou-se a revelar as conclusões das averiguações feitas no local, assinalando apenas que "foram desenvolvidas as necessárias diligências policiais".

A mesma força policial confirmou, tal como havia já sido adiantado pela IP, que foram registadas pela polícia ocorrências relacionadas com a ocupação de terrenos anexos ao edifício.

Na sexta-feira, na sequência do incêndio, o Movimento por um jardim ferroviário na Boavista instou as autoridades a investigar as causas e os responsáveis pelo incêndio "criminoso".

Na véspera do incêndio, numa nota enviada às redações, o movimento mostrou-se preocupado com a aprovação "contraditória" do Pedido de Informação Prévia (PIP) relativo ao projeto da cadeia espanhola, aprovado em outubro, sem haver ainda uma resposta ao pedido de reversão do negócio que a própria autarquia enviou ao ministério e enquanto decorre um pedido de classificação do imóvel.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, o independente Rui Moreira, afirmou, na reunião da Assembleia Municipal, que o PIP apresentado pelo Corte Inglés foi aprovado porque contém "uma alteração profunda" ao nível da redução da cércea e do estacionamento.

Sobre o pedido de classificação municipal da antiga estação, Moreira afirmou que a classificação do edifício foi recusada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e que foi feito um "levantamento exaustivo" do património ferroviário presente que, posteriormente, foi entregue ao Museu dos Transportes.

"Depois, seguiu para o museu ferroviário tudo aquilo que era considerado interessante do ponto de vista patrimonial relativamente a essa linha e já na altura este edifício não foi considerado de interesse patrimonial", esclareceu.

Para os terrenos da antiga estação ferroviária da Boavista estão previstas, além de um grande armazém comercial, instalações de um hotel e de um edifício de habitação, comércio e serviços.

Até ao momento, a cadeia espanhola pagou à IP, proprietária do terreno, 18,7 milhões de euros.

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