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Correio da Manhã

Portugal

"Sporting somos nós": Os gritos dos agressores e os quatro principais alvos do ataque à Academia

Antigo presidente leonino reuniu com os jogadores na véspera do ataque sobre problemas com as claques.
Tânia Laranjo e Débora Carvalho 9 de Dezembro de 2019 às 09:16
Tribunal do Montijo
Maximiano no Tribunal do Montijo
Ataque a Alcochete
Tribunal do Montijo
Maximiano no Tribunal do Montijo
Ataque a Alcochete
Tribunal do Montijo
Maximiano no Tribunal do Montijo
Ataque a Alcochete
Os jogadores do Sporting foram esta segunda-feira a ser ouvidos no julgamento do ataque à Academia de Alcochete, no Tribunal do Montijo. A audição foi feita por videoconferência.

Maximiano, o guarda-redes dos leões, de 20 anos, foi o primeiro a ser ouvido. Mathieu (jogador francês que vai levar um tradutor) e Wendell foram ouvidos à tarde.

Os jogadores foram ouvidos a partir do Tribunal do Montijo e não no Tribunal de Monsanto. Esta decisão foi tomada depois de um pedido feito pelo advogado dos jogadores, que alegam ter medo dos arguidos autores das agressões. 

Acompanhe ao minuto:

17h00 - Termina a sessão desta segunda-feira. O julgamento do ataque à Academia de Alcochete prossegue esta terça-feira.

16h10 - "O William Carvalho esteve a discutir com um dos agressores. Naquele dia, liguei logo para a minha mulher, não sabia se chegava a casa", relata Mathieu afirmando que aquele episódio ficará "para sempre" na sua memória. 

16h05 -
Sobre a reunião entre os jogadores e Bruno de Carvalho na véspera do ataque a Alcochete, Mathieu afirma que não percebeu o que o presidente disse por causa da língua [recorde-se que Mathieu é francês]. "Em algumas reuniões anteriores tinha visto o presidente agitado muitas vezes com William e o Patrício. Nesta reunião falou de forma calma e pausada", relata o francês. 

"Falou sobre sermos uma família e falou com o Battaglia sobre a discussão no aeroporto que foi tida com o adepto que era chefe das claques", disse.

15h41 -
Mathieu é questionado sobre o jogo Sporting-Marítimo e se houve algum incidente. "Houve alguma confusão e ouvimos coisas que não gostávamos. Cada pessoa tem o seu caráter e eu não respondi", afirma o jogador. "Mas alguns colegas responderam e isso criou alguma confusão, há sempre alguém que insulta nestas ocasiões", acrescenta afirmando ainda que houve maior tensão com os jogadores Battaglia e Acuña.

15h36 -
"Estavam lá praticamente todos, faltavam três ou quatro jogadores", conclui o francês. 

15h14 - 
"O primeiro a ser agredido foi o Acuña, com golpes no rosto", relembra Mathieu. "Foi agredido por duas ou três pessoas. No caso do Misic, vi uma pessoa a golpeá-lo nas pernas e costas", acrescenta ainda. 

O francês afirma ainda que os agressores entraram prontos a bater, "não houve diálogo". "Ocuparam todo o balneário", revela acrescentando que estavam três pessoas a bloquear a porta. 

"Quando entraram perguntaram logo pelo William, Patrício, Battaglia e Acuña", revela o francês. "Não era um alvo, mas senti muito medo. A mim não me tocaram diretamente", afirma ainda Mathieu. 
 
15h04 - É a vez de Mathieu ser ouvido. Traz com ele um tradutor para facilitar o entendimento entre o jogador e o coletivo de juízes. Tem 36 anos e está há três na equipa leonina. Também ele estava na academia quando se deu o ataque. 

Mathieu afirma que a porta do balneária estava aberta contrariando a versão de Wendell que alega que a mesma estava fechada, apesar de não se recordar de quem a fechou. "O Vasco tentou fechar [a porta]. Mas já era tarde, alguém fez força e conseguiram entrar", afirma o futebolista francês. 

15h02 -
Terminou na audição a Wendell. 

15h00 -
Após Wendell revelar não se recordar de algumas coisas, a juíza afirma: "Espero que de futuro não tenha problemas de memória".

15h00 -
Advogado do Sporting: "Em relação ao Battaglia, viu?". Wendell responde que não. "Patrício?", volta a questionar o advogado. Resposta negativa de Wendell.

14h50 -
O futebolista afirma também que não conseguia ver bem pois "havia muito fumo". "Estiveram lá 5 minutos", descreve alegando que foi tudo muito rápido e que os agressores "saíram ao mesmo tempo".

14h20 -
Wendell recorda dia do ataque e agressões de que foi alvo: "Bateram-me no rosto com a mão aberta". O futebolista, que está no Sporting desde janeiro de 2018, conta que estava na academia - sozinho no ginário - quando começou a ouvir "gritaria" e uma multidão. Afirma que não viu caras, apenas um grupo que se dirigia aos balneários a correr. "Fui ter com eles aos balneários para os avisar", revela. Após o aviso, chegaram os agressores que fecharam a porta daquele espaço. Terão então pedido ao jogador que tirasse a camisola e foi aí que o agrediram. 

Wendell afirma ainda que Misic foi agredido com um cinto nas costas e William com "tapas". 

14h00 -
Jogadores do Sporting escoltados pela PSP até ao tribunal. 

12h00 -
Terminou a audição de Maximiano. Julgamento retomará cerca das 14h00. 

11h38 - Luís Maximiano disse ter estado presente numa reunião de 14 de maio de 2018, véspera do ataque, entre o plantel e elementos do Conselho de Administração, incluindo o então presidente Bruno de Carvalho.

O guarda-redes contou que Bruno de Carvalho disse que tinham "acontecido algumas coisas com a claque" na Madeira, após a derrota com o Marítimo, por 2-1, no domingo antes, 13 de maio, que afastou os 'leões' da Liga dos Campeões.

Nessa reunião o então presidente do clube disse que era preciso "proteger a equipa, que estava com o plantel e que era preciso resolver essa situação", aludindo ao episódio de trocas de palavras entre alguns jogadores e elementos da claque Juventude Leonina, no Aeroporto da Madeira, com enfoque no jogador Acuna.

Max indicou que Bruno de Carvalho disse que tinha falado com o "chefe da claque, que não era uma situação fácil", mas que a mesma teria de ser resolvida "em família", reportando-se a ele próprio e ao plantel.

11h30 - O futebolista testemunhou por videoconferência, a partir do Tribunal do Montijo, a pedido do Sporting, assistente no processo, por "questões psicológicas".

11h26 - Maximiano alega que as agressões eram dirigidas. De acordo com Max, como é conhecido, os agressores foram em direção aos jogadores William Carvalho, Rui Patrício, Battaglia, Montero e Acuña. Só Josip Misic terá agredido ao ao acaso. O guarda-redes disse ainda que a "confusão era grande" e "não dava para perceber quem era", uma vez que estavam encapuzados. 

11h24 - "Tive receio, fiquei assustado", diz ainda o guarda-redes leonino afirmando ainda: "Tinha o sonho de jogar na equipa principal e a primeira coisa que vejo é isto".

"Fiquei tão bloqueado, atrapalhado que fiquei sem reação. Houve pânico e muita confusão. Entraram e começamos a perceber que era algo mais grave", explicou o guarda-redes, de 20 anos, acrescentando que no interior do vestiário "estava praticamente todo o plantel" e que o holandês Bas Dost se encontrava no corredor.

10h28 - Maximiano está a ser ouvido em primeiro lugar pelos magistrados e só depois será ouvido pelo procurador do Ministério Público, pelos advogados de defesa e pelo advogado do Sporting. O futebolista testemunha por videoconferência, a partir do Tribunal do Montijo, a pedido do Sporting, assistente no processo, por "questões psicológicas".

Após começar a ser questionado, o guarda-redes dos leões começou por dizer que a Academia foi invadida por cerca de 20 indivíduos que entraram juntos e mascarados. De acordo com Maximiano, esses indivíduos dirigiram-se a William, Battaglia e a Acuña.

"O William levou um murro e o Rui [Patrício] também. O Bataglia e o Montero levaram com um garrafão de água. O Montero levou um estalo. O Misic levou com um cinto na cara e o Acuña levou uns pontapés e um murro", descreveu o guarda-redes, que à data dos factos fazia parte da equipa de juniores do Sporting, mas que, por vezes, também era chamado à equipa principal de futebol.

Maximiano conta que ficou "um bocado" atrapalhado e admite que viu os colegas a serem agredidos. O guarda-redes diz que William foi atingido com um murro no peito, assim como Rui Patrício. Já Battaglia e Montero levaram com um garrafão e Acuña foi atingido com pontapés. Misic foi agredido com um cinto na cara.

O guarda-redes do Sporting fala ainda em tochas de fumo que foram atiradas para dentro do vestuário e uma delas, a última, foi atirada contra Mário Monteiro, da equipa técnica. Foi atingido na barriga.

Os agressores, antes de abandonarem o local, ainda ameaçaram os jogadores: "ou ganham no domingo ou vão ver".
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