Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Jovem de Barcelos diz que matou pai à machadada para acabar com inferno em casa

Jovem admitiu ficar intimidado com os toques do pai.
Lusa 9 de Julho de 2020 às 16:43
Tribunal de Braga
Tribunal de Braga FOTO: Direitos Reservados
Um jovem de 17 anos acusado de matar o pai à machadada em Pereira, Barcelos, confessou hoje o crime, explicando que o seu objetivo foi acabar com o "inferno" criado em casa pelo progenitor.

No início do julgamento, no Tribunal de Braga, num depoimento confuso e marcado por crises de choro, o arguido disse que o pai andava constantemente embriagado, discutia recorrentemente com a mãe sobretudo por questões de dinheiro e que a insultava "quase todos os dias".

Além disso, admitiu também que ficava "intimidado" com os "toques" que o pai "de vez em quando" lhe dava nas costas, nos ombros e nas virilhas, atribuindo-lhes um cariz sexual.

O homicídio ocorreu em 26 de julho de 2019, um dia depois de a vítima ter regressado de França, onde estivera emigrado desde janeiro.

"Foram os melhores momentos das nossas vidas", disse o arguido, referindo-se ao período em que o pai não esteve em casa.

Mal chegou, as discussões com a mãe voltaram, tendo a vítima ainda deixado claro que a partir dali "ainda ia ser pior".

No dia dos factos, ao almoço, o pai voltou a insultar a mãe do arguido.

A mãe foi entretanto trabalhar e o pai foi "dormitar", para o quarto.

O arguido foi buscar uma machada e desferiu-lhe um número não concretamente apurado de golpes, que o atingiram, além do mais, na cabeça, face, peito, membros e órgãos genitais, acabando por lhe provocar a morte.

A acusação, como hoje sublinhou a juiz presidente, tem cinco páginas com as lesões sofridas pela vítima.

O arguido deixou a machada espetada na cabeça do pai.

"Atuou com frieza de ânimo, aproveitando-se do facto de o seu pai estar deitado a descansar e alheio aos seus intentos, não lhe dando hipótese de qualquer defesa", sublinha a acusação.

O arguido disse que nunca antes tinha pensado em fazer aquilo e alegou que não se lembra em que partes do corpo atingiu o pai.

"Só sei que fiz isto", referiu, acrescentando ainda que quis "proteger" a mãe.

Hoje, o tribunal ouviu também a mãe do arguido, que disse ter vivido "muito aterrorizada" com o comportamento do marido e que o filho "tinha sempre muito medo do pai".

"Até hoje ainda não acredito que o meu filho tenha feito aquilo. Ele morria de medo de objetos que cortassem. Teve de acontecer alguma coisa de muito grave, mas ele nunca me contou, porque é muito fechado, muito reservado", referiu.

Em relação ao período em que o marido esteve emigrado, disse que "foram quatro meses como nunca tinha tido na vida".

Disse ainda que o filho "sempre foi muito apegado" a ela, tanto que ainda hoje dormem na mesma cama.

O arguido, que à data dos factos tinha 16 anos, está acusado de homicídio qualificado, um crime punível com até 25 anos de prisão.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)