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Correio da Manhã

Portugal
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Jovens têm colesterol alto

Eram 13h00 quando arrancou na estação do Metropolitano de Santa Apolónia, em Lisboa, mais uma acção de rastreio cardiovascular da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC). “Nestes rastreios medimos a tensão arterial, o colesterol, o índice de massa corporal e o perímetro abdominal”, explicou Bruno Fernandes, da FPC.
22 de Fevereiro de 2008 às 00:30
Maria José Freitas, 50 anos, foi das primeiras a aderir à iniciativa: “Vim com um amigo e vou aproveitar para fazer. Ainda por cima é gratuito”, comentou. Bruno Fernandes acrescenta: “As pessoas sabem que é gratuito e têm confiança na FPC, razão pela qual fazem o rastreio.”
A nutricionista Cláudia Plácido, habituada a fazer rastreios, acredita que o colesterol é uma das principais maleitas da sociedade: “Existem vários problemas mas o colesterol elevado e a tensão alta são os mais comuns.” Também a enfermeira Margarida Antunes deixa um alerta: “Vemos muitos casos de colesterol elevado em pessoas muito jovens e a hipertensão já não é uma doença da terceira idade. Há pessoas novas com a tensão muito alta. Temos em média cem pessoas por dia neste tipo de rastreios.”
As estimativas indicam que em Portugal cerca de três milhões de pessoas – quase metade da população adulta – são hipertensas, apesar de metade não saber que sofre de hipertensão arterial, o que as coloca em factor de risco para doenças fatais como o acidente vascular cerebral ou o enfarte do miocárdio.
“DOENÇA SILENCIOSA"
Maria José, de 72 anos, e o seu marido, António Rosinha, de 69, decidiram fazer ontem o rastreio. “Eu tenho a tensão alta mas é normal porque fico enervada cada vez que ando de metro”, comenta. António tem peso a mais: “A médica diz que tenho que perder dez quilos.” Já a mulher não se conforma: “Nós praticamos uma alimentação equilibrada. Comemos sopa, fruta, vegetais, andamos bastante a pé. Não sei o que é que podemos fazer mais.”
“O colesterol acaba por ser uma doença silenciosa. Há uns tempos fiz um rastreio numa escola do 2.º Ciclo e vi dezenas de crianças portuguesas de dez e 11 anos e com colesterol devido à má alimentação. A maioria deles nem sequer tomava o pequeno-almoço em casa”, afiança a enfermeira Margarida Antunes.
CORTAR NO SAL
Aos 69 anos a desenhadora de construção naval Dolores Relvas estava a passear quando foi surpreendida pelo rastreio: “Tenho 210 de colesterol. A médica mandou-me cortar no sal e praticar uma alimentação equilibrada, sem gorduras. De resto, está tudo bem”, disse.
TENSÃO ELEVADA
“Estava aqui e fiz os testes por curiosidade, pois a minha tensão tem tendência a subir”, contou Joaquim Santos, de 72 anos, que decidiu fazer o rastreio na companhia de uma amiga. “A única coisa que posso fazer é tomar remédios para a tensão”, acrescentou.
MÁ SURPRESA
Mariana Rego, de apenas 22 anos, foi apanhada de surpresa: o seu peso estava ligeiramente acima da média e o colesterol elevado. “Confesso que não estava à espera de ter colesterol. Terei de mudar a minha alimentação e ser mais saudável”, disse, entre risos.
APONTAMENTOS
CRIANÇAS
Em Agosto passado especialistas médicos recomendaram ao governo britânico que as crianças fossem submetidas a um rastreio ao colesterol.
ALZHEIMER
O consumo de alimentos ricos em colesterol, como a manteiga, as gorduras, os fritos e as carnes vermelhas, aumenta o risco de desenvolver Alzheimer, segundo um estudo desenvolvido por cientistas australianos e publicado em 2007.
CAUSAS DE MORTE
Os acidentes vasculares cerebrais vitimam mais de 20 mil portugueses por ano e o enfarte do miocárdio cerca de nove mil, revelou a Fundação Portuguesa de Cardiologia.
TENSÃO ARTERIAL
Se um adulto tiver uma tensão arterial entre os dez e os 12, isso significa que se encontra bem. Valores muito acima ou muito abaixo devem ser comunicados ao médico.
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