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Correio da Manhã

Portugal
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Mãe deprimida planeou homicídio de criança

Criança, de 10 anos, tentou resistir. Ainda chegou ao pescoço da mãe, mas foi estrangulada com um cachecol.
Tânia Laranjo 26 de Abril de 2018 às 01:30
Rafael Gonçalves
Ilda Gonçalves asfixiou o filho e depois tentou suicidar-se
INEM
Meios no local do crime, a 12 de setembro do ano passado, em Panóias de Cima, na Guarda
Rafael Gonçalves
Ilda Gonçalves asfixiou o filho e depois tentou suicidar-se
INEM
Meios no local do crime, a 12 de setembro do ano passado, em Panóias de Cima, na Guarda
Rafael Gonçalves
Ilda Gonçalves asfixiou o filho e depois tentou suicidar-se
INEM
Meios no local do crime, a 12 de setembro do ano passado, em Panóias de Cima, na Guarda
Rafael era uma criança bem aceite na escola. Um líder, garante a professora da primária, que o acompanhou durante quatro anos. Mas a mãe, não se sabe porquê, achava que era vítima de bullying. Durante dois anos planeou a morte do filho, de 10 anos, e em setembro último o menino acabou por morrer às suas mãos, em casa, em Panóias de Cima, na Guarda. Foi estrangulado com um cachecol.

A PJ, que agora terminou a investigação, aponta para um cenário de completo distúrbio mental. Ilda Gonçalves assumiu aos médicos do Hospital da Guarda que preparou a morte ao pormenor. Vivia com uma depressão profunda, recusava-se a tomar a medicação. Mas alimentava fantasmas. Que a consumiam.

O primeiro incidente, contaram os familiares de Ilda aos investigadores, está relacionado com a água. Ilda convenceu-se de que os vizinhos lha roubavam, chegou a fazer queixa, a pedir a intervenção das autoridades.

Não se sabe exatamente porquê, mas a mulher mentalizou-se depois que o filho era rejeitado na escola. E quando a médica do Hospital da Guarda a atendeu - Ilda tentou o suicídio após matar o filho -, contou que não podia deixá-lo ir à escola. Rafael preparava-se para começar as aulas do 5º ano e mudar para um estabelecimento de ensino de maiores dimensões. Ilda temia que fosse excluído.

A morte do jovem, descrita no processo, é uma história de horror. Rafael resistiu, percebeu o que lhe estava a acontecer. Contou novamente a médica que Ilda apresentava mesmo marcas no pescoço quando foi internada. Reconheceu que tinha sido o filho que a atacou, quando tentava ele próprio sobreviver.

Reconheceu ainda que foi ela quem o matou e que tentou também morrer. Deitou-se ao lado do corpo do menino, mas a verdade é que nunca correu risco de vida.

Autoridades chamadas ao local pela madrinha
Foi a madrinha de Rafael que alertou as autoridades policiais. Foi chamada pelo pai do menino e também ela entrou em pânico. No entanto, já nada havia a fazer para salvar a criança, tal como confirmaram os médicos que, de imediato, se deslocaram à casa.

Funeral de criança marcado pela dor e emoção de amigos
O funeral de Rafael foi marcado pela emoção. A professora levou uma flor branca por cada colega da escola do menino, que tinha acabado de completar o Ensino Primário. Contou a professora à polícia que o menor estava entusiasmado por ir para o segundo ciclo do Ensino Básico.

PJ da Guarda manda caso para acusação
A Polícia Judiciária terminou rapidamente a investigação e mandou já o processo para o Ministério Público para acusação. Defendem os investigadores que foi cometido um crime de homicídio qualificado, já que a morte do menor foi premeditada.

Pai encontrou filho morto no chão tapado com pano 
Foi o pai de Rafael que encontrou a criança. Chegou a casa pelas 16h00 e quando percebeu que a porta estava fechada com a chave por dentro entrou em pânico. Entrou por uma janela e encontrou o filho já sem vida. Disse depois à Polícia Judiciária que tinha saído para trabalhar pelas 07h30. Tinha a convicção de que o filho iria à nova escola com a madrinha para conhecer os colegas. Desde as 12h30, contou depois, que estava a tentar ligar-lhe. Não atendia, mas nunca imaginou que o pior tivesse acontecido.

Alípio Alves Gonçalves assegurou ainda à Polícia Judiciária da Guarda que a sua esposa estava diagnosticada com problemas do foro mental, designadamente uma depressão. Disse que a mulher não tomava os medicamentos prescritos para o efeito, mas que nunca se mostrou agressiva para com o filho. Nada faria prever que o pudesse matar.

Nas suas declarações, Alípio Alves Gonçalves conta que também foi ele quem encontrou Ilda. Estava na casa e percebeu logo que a mulher tinha matado o filho. Ligou, de imediato, à madrinha da criança, em pânico. Não sabia o que fazer perante aquele cenário.

Afinal, parecia tudo ter sido encenado ao pormenor por Ilda Gonçalves. Junto ao corpo do filho estavam várias fotografias e tinha ainda um pequeno pano branco - que usou no batizado para cobrir o rosto - a tapar-lhe a face.

PORMENORES 
Disse que matou filho
Quando foi assistida ainda em casa, Ilda confessou aos médicos que tinha matado o filho. Tinha ingerido comprimidos.

Confessa ao juiz
Ilda confessou igualmente o crime quando foi ouvida pelo juiz de instrução criminal. Mas nunca apresentou uma história coerente.
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