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Correio da Manhã

Portugal
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Marcus no local do crime

Quase um ano após a morte de dois agentes da PSP da Amadora – Paulo Alves e António Abrantes –, o luso-brasileiro Marcus Fernandes, acusado do duplo-homicídio, voltou ontem ao Bairro Santa Filomena para reconstituir a noite de 20 de Março. Mas disse aos juízes que não se lembrava de nada.
7 de Março de 2006 às 00:00
Sob apertado esquema de segurança, o arguido, algemado e escoltado por guardas prisionais, chegou ao local do crime pelas 14h20 – mas, passados vinte minutos, jregressou à cadeia do Linhó, onde se encontra em prisão preventiva. “A juiza perguntou-lhe se sabia onde estava. Ele respondeu que não”, disse ao Correio da Manhã.uma fonte que acompanhou de perto a recosntituição do crime.
Marcus, segundo a mesma fonte, apresentava uma “calma excessiva, como quem toma muitos medicamentos anti-depressivos”.
Marcus não quis falar, mas as testemunhas do crime – incluindo o agente Pereira, que sobreviveu – e os agentes da PSP e da PJ, que estiveram no local, recordaram o que viram ao colectivo de juízes, presidido por Ana Paula Conceição, ao procurador do Ministério Público, José António Espada Nisa, e aos advogados.
Segundo a acusação do Ministério Público, os agentes Alves, Abrantes e Pereira chegaram ao Chop Bar, na Avenida General Humberto Delgado, pelas 02h15. Um deles já conhecia Marcus por posse ilegal de arma e propôs que o identificassem.
O luso-brasileiro ainda mostrou o bilhete de identidade, mas deixou-o cair. Quando os agentes Alves e Abrantes se baixaram para apanhar o documento, Marcus abriu fogo contra eles. Após atingir os dois polícias, o luso-brasileiro fugiu de carro, mas, instantes depois, regressou ao local do crime e efectuou mais disparos contra o terceiro polícia, que escapou ileso.
MORADOR RECORDA TIROTEIO
O perímetro de segurança montado ontem em torno da casa de alterne ‘Chop Bar’, na Amadora, fez recordar o dia 20 de Março, quando os agentes da PSP Alves e Abrantes foram abatidos a tiro. António recorda bem aquela madrugada em que acordou com o barulho de “uma rajada de tiros”.
Antigo combatente no Ultramar e vizinho do problemático bairro de Santa Filomena, continua à espera que lhe paguem o vidro da varanda “trespassado por uma bala perdida nessa noite”, disse.
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