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Correio da Manhã

Portugal
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Massa de ar quente vai sufocar Portugal

Um anticiclone com origem no Norte de África, acompanhado de uma massa de ar muito quente e seca, está a deslocar-se de Espanha para Portugal. Os primeiros efeitos vão fazer-se sentir já hoje, com as temperaturas a subir.
5 de Agosto de 2005 às 00:00
Para amanhã as previsões apontam para nova subida, com os termómetros a chegar aos 43º em vários pontos do País.
Ontem, o calor já apertou de Norte a Sul. O dia mais quente do ano registou-se em Lisboa, 39,7º; Setúbal 41,6º; Viana do Castelo 37,3º; Porto 36,8º e Coimbra 38,9º. Mas o pior está para vir.
A onda de calor vinda do Norte de África começará a sentir-se a partir de hoje, divulgou ontem o Instituto Nacional de Meteorologia espanhol, que explica as suas previsões com a chegada à Península Ibérica do anticiclone a partir de Sudoeste. A onda de calor, segundo o Instituto de Meteorologia português (IM) resulta da influência de um anticlone, em acção com uma depressão que trás uma massa de ar quente do Leste – Espanha.
De acordo com as previsões do IM, apenas a partir do início da próxima semana se vai começar a sentir algum alívio, mas pouco. “O litoral vai sentir primeiro a descida, com um vento a soprar vindo do mar”, afirma a meteorologista Cristina Simões. Uma descida gradual, mas o tempo mais fresco, esse, o IM apenas prevê lá para dia 10.
O alerta já foi dado pela Direcção-Geral da Saúde, com o aumento do número de distritos em alerta amarelo – previsíveis efeitos sobre a saúde – de nove para 13. Curiosamente, apesar das temperaturas excessivas, nenhum distrito apresentava o alerta laranja, o penúltimo na escala de quatro.
Apesar do calor apertar, os hospitais contactados pelo CM não registavam afluência fora do normal. Em Santarém, onde o termómetro chegou aos 40 graus, as urgências estavam calmas. O mesmo se passou em Portalegre e Lisboa.
CONSELHOS ÚTEIS PARA LIDAR COM TEMPERATURAS ELEVADAS
MAIS SENSÍVEIS
Crianças, idosos, portadores de doenças crónicas, obesos ou acamados são grupos mais sensíveis ao calor e que, por isso, devem redobrar os cuidados.
INGERIR LÍQUIDOS
Nos dias de maior calor, a Direcção-Geral da Saúde aconselha a aumentar a ingestão de água, mesmo sem ter sede, a evitar bebidas alcoólicas, com gás ou cafeína.
ALIMENTAÇÃO
No que diz respeito à alimentação, devem fazer-se refeições leves e com maior frequência, sendo de evitar as refeições pesadas e muito condimentadas.
FUGIR DO SOL
É ainda de evitar a exposição directa ao sol, sobretudo nas horas em que o calor aperta mais, devendo ainda ter cuidado com as mudanças bruscas de temperatura.
GOLPE DE CALOR
Perante os sintomas de febre alta, pele vermelha, quente e seca, sem suor, pulso rápido e forte, dor de cabeça, tonturas ou náuseas, é urgente procurar locais frescos.
RONDAS NOS HOSPITAIS
“Na enfermaria de ortopedia do Hospital de Évora não há ar condicionado. Num dia de muito calor, a sorte do doente que fui visitar é que está numa enfermaria que possui várias ventoinhas pelo que não sente tanto o calor que se sente no resto do edifício. No entanto, o uso de ventoinhas não está generalizado a todo o piso”. Alberto CostA - 30 anos, Évora
“Só posso dizer que é horrível. Está muito calor em cirurgia-homens, do Hospital de Évora. Os doentes queixam- -se que não suportam as temperaturas tão elevadas e é verdade porque estive lá e também senti o calor excessivo. Faz bastante falta um ar condicionado naquelas enfermarias”. Cláudia Mamede - 28 anos, Évora
“Senti e mais pessoas o afirmaram que na pediatria o calor era desagradável. O que em princípio não deveria de acontecer porque é uma área destinada a crianças. Estive também no piso 2 do Hospital de Santa Maria, em neurologia, e posso dizer que o calor que se verifica em Lisboa nessa parte não se fazia sentir”. Lina Correia - 36 anos, C. da Rainha
“Dentro do Hospital de Santa Maria o ar estava um pouco quente e como estive mais a minha mulher aqui desde as 9h00 até às 14h00 estamos um pouco exausto. Para suportarmos o calor fomos bebendo garrafas de água fresca enquanto aguardavamos pela consulta de oncologia e depois para fazer exames”. Manuel Martins - 63 anos, Algés
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