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Correio da Manhã

Portugal
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'Mata Sete', o serial killer responsável pelo massacre do "Osso da Baleia"

Recorde a história do assassino que ficou marcada na memória dos portugueses.
Isabel Jordão 5 de Outubro de 2020 às 21:36
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge em tribunal depois de cometer os crimes
Vítor Jorge ficou conhecido por Mata Sete por ter assassinado sete pessoas à facada, a tiro e à paulada, em março de 1987. Os crimes de Mata Sete ficaram marcados na memória dos portugueses pelos contornos dos mesmos. 

Foi encontrado morto em casa em janeiro de 2019, na ilha francesa de Córsega, onde vivia há 16 anos, após ter cumprido 14 de pena. Vítor Jorge tinha 69 anos e vai ficar sepultado na Córsega.

Recorde-se que Vítor, 
matou cinco jovens na praia do Osso da Baleia, Pombal, numa espiral de violência que prosseguiu horas depois, quando assassinou a mulher e a filha mais velha com múltiplas facadas, num pinhal a 2,5 km de casa, na Amieira, Marinha Grande.

"Sete vidas ceifadas de forma irracional"
Vítor Jorge foi condenado a 20 anos de prisão - a pena máxima na altura - e saiu em liberdade condicional, em outubro de 2001. Durante a reclusão, primeiro em Leiria e depois em Coimbra, enviou uma carta a uma amiga de infância, a relatar os crimes e a descrever a sua vida desde criança.

Diz que começou "a sofrer aos 7 anos", quando foi "retirado do convívio dos avós" e levado pela mãe para Lisboa. Da juventude, recorda o dia em que vendeu uma arma de caça "por sentir repulsa pela forma como tirava a vida aos animais e aves. Não podia ver sangue e nem a uma formiga era capaz de fazer mal".

Relata com detalhe as "crises de profunda depressão, aliadas a longos períodos de uma vitalidade inesgotável" anteriores aos crimes. Refere-se ao diário - que enviou para o Correio da Manhã após os homicídios - como o "confidente, o ‘amigo’ que o ouvia, mas que ficava mudo".

E a "sua mudez atraía-o para o fosso". Várias vezes se questiona sobre o "fatídico 1 de março de 1987, em que a corda da vida se deteriorou, traduzido em sete vidas ceifadas de forma absolutamente irracional".

Cinco corpos recolhidos no Osso da Baleia
Os cinco jovens, entre os 17 e os 24 anos, foram as primeiras vítimas de Vítor Jorge. Foram mortos a tiro de caçadeira e à paulada.

Eram amigos e tinham estado na festa de anos de uma das raparigas, na Ilha, Pombal, de onde o grupo seguiu para a praia do Osso da Baleia, à boleia de Vítor Jorge, que seguia ao volante da sua Renault 4 L branca. Vítor Jorge trabalhava como fotógrafo, sobretudo de festas, e tinha sido contratado pelos jovens.

Manteve a paixão pela fotografia quando se fixou em 2001 na Córsega
Quando se fixou na ilha francesa Córsega, Vítor Jorge manteve a paixão pela fotografia, apesar de ter deixado de ser contratado para fotografar casamentos, batizados ou outras festas, como acontecia em Portugal.

No seu perfil de Facebook foi publicando dezenas de imagens de pessoas que fotografava, sem nunca usar uma que mostrasse o próprio rosto. Recebia 800 € de reforma e frequentou uma escola à noite para aprender a falar e a escrever francês. Completou o 5º ano na cadeia.

PORMENORES
Poupou dois filhos
Vítor Jorge poupou da morte à filha mais nova, que vive na Marinha Grande, e o filho, agora emigrado em Inglaterra. Na carta escrita na prisão, afirma sentir um "grande amor" por eles. "Nunca será de mais enaltecer os filhos maravilhosos que tenho. Visitam-me quando entendemos que é necessário" .

Quer ser amado
Em várias passagens da carta escrita a partir da prisão, Vítor Jorge reconhece o sofrimento que causou. "Também me senti fortemente abalado, emocional, psicológica e humanamente. Dificilmente conseguia demonstrar o meu amor, mas esta sexta-feira, mais do que nunca sinto necessidade de amar e de ser amado."

Tentativas de suicídio
Vítor Jorge tentou o suicídio várias vezes ao longo da vida: três vezes antes dos crimes de 1987 e pelo menos 13 vezes após ter emigrado para Córsega – com recurso a medicamentos e gás.

Visitas à família no Verão
Vítor Jorge voltava a Portugal sempre em agosto e ficava alojado em casas de familiares e amigos na Calvaria. Todos o recebiam o melhor que podiam, com medo da sua reação.
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