Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Médico legista admite que se Ihor tivesse sido tratado teria sobrevivido às agressões no SEF em Lisboa

Carlos Durão, médico legista responsável pela autópsia a Ihor, está a ser ouvido esta quarta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa.
Débora Carvalho 3 de Março de 2021 às 10:23
Ihor Homeniuk aparece, nesta última imagem, com vida, a aproximar-se da sala onde foi espancado até à morte
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Ihor Homeniuk aparece, nesta última imagem, com vida, a aproximar-se da sala onde foi espancado até à morte
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Ihor Homeniuk aparece, nesta última imagem, com vida, a aproximar-se da sala onde foi espancado até à morte
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Decorre esta quarta-feira a sétima sessão do julgamento dos inspetores do SEF acusados da morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk no aeroporto de Lisboa em 2020.

Carlos Durão, médico legista responsável pela autópsia a Ihor, está a ser ouvido no Campus da Justiça em Lisboa.

O médico legista diz que, perante o que observou, "não tem dúvidas" sobre a morte do ucraniano: Ihor morreu por asfixia lenta devido às fraturas e à posição em que estava (de barriga para baixo e algemado com as mãos atrás das costas) durante mais de oito horas. O médico revelou em tribubal que, pela observação do cadáver, sentiu que "algo se passava". De imediato, alertou a Polícia Judiciária. "Não se coadunava com aquilo que era referido, que tinha morrido de causa natural", explicou. Ortopedista admitiu ainda que se Ihor tivesse sido tratado, em relação às fraturas nas costelas, teria sobrevivido.

As defesas dos arguidos anunciaram que vão chamar a tribunal três consultores técnicos para, de alguma forma, contestarem os resultados desta autópsia. Advogados dos três inspetores que se sentam no banco dos réus acreditam que esta foi apenas "uma das hipóteses", mas que o médico legista deveria ter considerado "outras hipóteses".

A sessão ficou ainda marcada pela audição de Gabriel Pinto. O inspetor do SEF, contou que viu Ihor a "respirar de forma ofegante" horas antes de o ucraniano morrer no Aeroporto de Lisboa. "O homem parecia estar a morrer. A forma de ele estar a respirar não era normal. Respirava de forma ofegante. Fiquei em choque", relatou a testemunha em tribunal.

Três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) estão a ser julgados pela morte à pancada de Ihor Homeniuk. Os arguidos estão acusados de homicídio qualificado, punível com penas de até 25 anos de prisão. O crime terá ocorrido a 12 de março, dois dias após o cidadão do Leste ter sido impedido de entrar em Portugal, alegadamente por não ter visto de trabalho.

Após ser espancado, terá sido deixado no chão, manietado, a asfixiar lentamente até à morte. Dois dos inspetores respondem ainda pelo crime de posse de arma proibida.

O julgamento retoma na próxima quarta-feira com a inquirição de mais inspetores, nomeadamente colegas dos arguidos.
Lisboa Ihor Homeniuk SEF crime lei e justiça julgamentos
Ver comentários