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Correio da Manhã

Portugal
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Moradores das aldeias de Oleiros queixam-se da falta de meios na madrugada

"Das 06h00 às 12h00 não vi bombeiro nenhum, certamente andavam noutros lados", lamentou Maria Antunes residente em Milrico.
Lusa 14 de Setembro de 2020 às 18:07
Incêndio de Proença-a-Nova alastra a mais dois concelhos
Incêndio de Proença-a-Nova alastra a mais dois concelhos FOTO: CMTV
Moradores das aldeias de Milrico, Dão e Várzeas, no concelho de Oleiros, queixaram-se da falta de meios para combater o incêndio que na madrugada desta segunda-feira rodeou aquelas localidades, no seguimento do fogo que eclodiu no domingo em Proença-a-Nova.

"Das 06h00 às 12h00 não vi bombeiro nenhum, certamente andavam noutros lados", lamentou Maria Antunes, de 70 anos, em Milrico, que desde a madrugada, juntamente com outros vizinhos, andou numa "roda-viva" para evitar que as chamas atingissem a sua casa.

Na mesma aldeia, António Mateus, de 66 anos, emigrante em França, teve de recorrer à água de um furo e a mangueiras próprias para combater o fogo, que chegou a 50 metros da sua habitação.

"Fui eu que apaguei, pois não havia cá ninguém", enfatizou, salientando que a situação "foi muito má", devido à localidade ter ficado cercado pelas chamas.

Relativamente próximo, em Dão, as chamas "lamberam" o perímetro da aldeia, mas "o fogo apagou-se por ele", disse Lúcia Maria Afonso, de 68 anos.

"O povo saiu à rua para livrar as casas", referiu a mulher, lamentando que nem bombeiros nem meios aéreos tenham sido vistos no combate às chamas na hora mais aflitiva, por volta das 06:00.

Poucos quilómetros à frente, nas Várzeas, Luís Barata também passou a noite sem dormir para salvar a casa dos pais, o que conseguiu, mas não evitou que ardessem uns arrumos e a adega.

Juntamente com o pai, Luís Barata ajudou a que as chamas não provocassem grande destruição na aldeia: "O que nos valeu foi uma viatura dos sapadores da Associação de Produtores Florestais de Alvelos e Muradal, com dois elementos", salientou à agência Lusa.

Junto à antiga escola primária da aldeia, desativada há muitos anos, Fátima Esteves ainda continuava de vigilância na tarde de hoje, depois de uma noite sem dormir, juntamente com o marido e o filho, para defender casas de família nas Várzeas e em Vale da Horta.

"Foi um terror, nunca vi uma coisa assim", desabafou a mulher, proprietária de um salão de cabeleireiro em Oleiros, que esteve fechado durante o dia de hoje.

Fátima Esteves lamentou a existência de arvoredo e a falta de limpeza a menos de 50 metros das habitações, o que "tornou a situação num pandemónio".

Para ter um cenário idêntico ao vivido na madrugada de hoje só recuando a agosto de 1991, quando um incêndio de grandes dimensões rodeou aquelas aldeias e não deixou "um bocadinho verde".

O fogo que deflagrou em Proença-a-Nova no domingo alastrou aos concelhos de Castelo Branco e Oleiros, sendo neste último município que as atenções da Proteção Civil estavam focadas hoje ao final da manhã.

O incêndio, que queimou quase 2.300 hectares em menos de três horas no seu início, conta com um perímetro de mais de 55 quilómetros, afirmou hoje o Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, referindo que durante a noite e a manhã foi impossível fazer combate direto à cabeça de incêndio.

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