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Correio da Manhã

Portugal
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Mulher apanha nove anos de prisão por tentar matar o marido a tiro

Ana Mira disse que era vítima de violência doméstica, mas o tribunal não encontrou provas de maus-tratos.
Isabel Jordão 10 de Dezembro de 2019 às 08:57
Ana Mira, de 43 anos, tapou a cara ontem à chegada ao Tribunal de Leiria, onde foi condenada a 9 anos de prisão por ter tentado matar o marido em janeiro
Ana Mira, de 43 anos, tapou a cara ontem à chegada ao Tribunal de Leiria, onde foi condenada a 9 anos de prisão por ter tentado matar o marido em janeiro FOTO: Pedro Brutt Pacheco
A mulher que tentou matar o marido duas vezes pelas costas, a tiro e à pedrada, em Porto de Mós, foi esta segunda-feira condenada pelo Tribunal de Leiria a nove anos de prisão. Ana Mira, de 43 anos, disse que era vítima de violência doméstica, embora nunca se tenha queixado, mas o tribunal concluiu pela "inexistência" de quaisquer provas de "maus-tratos verbais e mesmo físicos".

O crime ocorreu em janeiro na moradia do casal, em Cabeça Veada, com António Batista, de 54 anos, a ser atingido primeiro com três tiros, de uma pistola semiautomática que entretanto encravou, e depois com uma pedra que a mulher foi buscar ao quintal. Mesmo ferido numa omoplata, num braço, no peito e na cabeça, e a sangrar, conseguiu ir para a rua pedir socorro. 


António pediu ajuda a vizinhos e a um homem que ia a passar na rua, a quem disse "não me deixe sozinho com ela que ela mata-me".
A arguida ainda negou, começando por dizer que o marido estava "desorientado" por ter "batido com a cabeça numa pedra", o que levou o tribunal a concluir que "atuou com o propósito reiterado e mais do que persistente de tirar a vida" ao marido. Depois criou uma ideia de "suspeição e ciúmes" e "problemas conjugais" resultantes da "não contribuição nas despesas da casa", o que também não ficou provado em tribunal.

Após o crime, Ana Mira fugiu e foi detida dez horas depois em Lisboa, pela PJ de Leiria, a apanhar um comboio para Madrid. Em julgamento, disse que não ia fugir para Espanha, pois iria sair no Entroncamento e entregar-se, mas o tribunal concluiu que teve " bastante tempo para praticar qualquer ato de arrependimento ou de apresentação às autoridades" nas oito horas em que esteve em Lisboa.

Resulta assim que a única justificação para o crime são os 16 mil euros que Ana Mira retirou da conta bancária do marido sem ele dar por isso.

PORMENORES
Sem arrependimento
No julgamento, a arguida disse que estava arrependida, mas o tribunal não verificou a "existência de um juízo de autocensura ou de arrependimento".

Dois crimes
Ana Mira foi condenada por dois crimes: homicídio qualificado tentado, agravado pelo uso de arma de fogo, e detenção de arma proibida.

Vítima recuperou
O crime ocorreu no dia 2 de janeiro e António Batista esteve hospitalizado até dia 6. Depois esteve mais 90 dias em casa a recuperar dos ferimentos.
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