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Correio da Manhã

Portugal
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Mulher julgada por viver com pai morto em casa durante seis meses para continuar a receber pensão

Ministério Público pediu a condenação da mulher, que faltou à sessão do julgamento.
José Durão 28 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Mulher está a ser julgada em Leiria
Mulher está a ser julgada em Leiria FOTO: Ricardo Ponte
O Ministério Público pediu esta quinta-feira a condenação de uma mulher que está a ser julgada no Tribunal de Leiria por manter o corpo do pai em casa e continuar a receber a pensão após a morte deste, durante pelo menos seis meses.

O cadáver foi descoberto em junho de 2016. A PJ deparou-se com o corpo de Jorge Mendonça, de 87 anos, em elevado estado de decomposição, coberto por café e chocolate em pó, que a filha, Amália, usava para disfarçar o cheiro nauseabundo. A mulher, que sofre de distúrbios psicológicos, faltou à sessão do julgamento e terá de pagar uma multa.

O tribunal ouviu o irmão, a sobrinha e duas vizinhas da arguida, que vivia com o pai nas Caldas da Rainha. Foram os familiares que alertaram as autoridades para a possibilidade de ter acontecido algo ao idoso, após constatarem que o seu carro estava parado no mesmo sítio há meses.

A leitura do acórdão decorre a 12 de março.

PORMENORES
Vizinha notou mau cheiro
Uma das testemunhas, que morava no prédio onde a arguida e o pai residiam, em 2016, disse que notou "cheiro a podre" na sua casa de banho, que partilhava parede com os vizinhos, mas admitiu que nunca lhe ocorreu tratar-se de um cadáver.

Trabalhava nos CTT
O idoso recebia na altura uma pensão de 1167,20 euros, por ter trabalhado nos CTT. O dinheiro era depositado na conta e a mulher usava-o para compras. Está acusada de profanação de cadáver, burla tributária e burla informática.
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