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Correio da Manhã

Portugal

MULTIDÃO ESGOTA ATALAIA

A Festa do Avante, que encerra hoje as suas portas, concentra desde sexta-feira vários milhares de pessoas na Quinta da Atalaia, Amora (Seixal). “A variedade dos espectáculos, a oferta de exposições e os muitos locais para comer”, são as razões que para Ana Rute Oliveira, 21 anos, estudante de engenharia, em Lisboa, explicam o poder da festa “em atrair mesmo aqueles que não são comunistas”.
7 de Setembro de 2002 às 22:20
Para Raul Crespo, 50 anos, funcionário público e residente em Odivelas, o espírito comunista que está por detrás da festa é suficientemente forte para ano após ano reunir milhares de pessoas na festa do jornal “Avante”. “Mesmo quando os resultados eleitorais não são os melhores para o partido”, acrescentou.

Para a septuagenária Sofia Ferreira Santos a história da festa “é um pouco a sua vida”. No pavilhão dedicado ao jornal que deu o nome à feira, Sofia Santos demonstra como era imprimido o jornal durante a ditadura do Estado Novo.

Segurando no rolo silencioso da máquina do prelo, Sofia Santos contou ao CM que o Avante era assim imprimido, página a página, sem que fosse ouvido qualquer barulho no exterior das casa. Natural de Vila Franca de Xira, Sofia tornou-se funcionária do partido em 1946 partindo para uma tipografia na Figueira da Foz. Na clandestinidade em 1949, Sofia foi “presa numa casa do Luso com os camaradas Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro”. Após três anos de cadeia, em 1959, Sofia Santos viria a ser detida por mais dez anos na cadeia de Caxias, regressando depois à clandestinidade onde permaneceu até ao 25 de Abril.

A escassos metros deste rosto da “luta contra o fascismo” encontra-se patente uma exposição de oito jovens fotojornalistas onde estão patentes trabalhos dos repórteres do Correio da Manhã, José Barradas e Jordi Burch. Rute Oliveira, de 21 anos, residente em Lisboa, foi uma das observadoras das imagens. Para ela, a visita à festa do Avante não resulta de ser comunista. “Venho, por este ser um local de convívio, contudo não posso deixar de admirar uma estrutura que é capaz de montar uma festa desta dimensão e onde há um ambiente bastante descontraído”, acrescentou a aluna do Instituto Superior Técnico.

O palco 25 de Abril conta hoje pelas 20h00 com um concerto dos Quinta do Bill e uma hora mais tarde é a vez dos Da Weasel. No Auditório 1.º de Maio, pelas 16h30, irá actuar a Ronda dos Quatro Caminhos, decorrendo depois o comício do PCP.
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