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Correio da Manhã

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Na Europa o centro perde poder enquanto extrema-direita e ecologistas ganham terreno

No Parlamento Europeu o grupo que mais cresce é o Verdes.
27 de Maio de 2019 às 09:08
Três milhões do Estado financiam campanha às Europeias
Mais 67.000 votantes nas Europeias face a 2014
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As expectativas para as eleições europeias confirmaram-se este domingo, com os partidos tradicionais de centro a perderem em várias frentes pela Europa fora. Os grandes vencedores destas eleições foram os partidos "verdes" e a extrema-direita que, mesmo assim, perdeu terreno em alguns países onde havia conquistado votos nas últimas eleições.

Mas esta polarização entre forças levou os europeus a irem mais às urnas, sendo que a participação geral nas eleições europeias subiu pela primeira vez desde 1994. A abstenção pode mesmo ser menos aos 50%, em 2019. O grande vencedor entre os grupos parlamentares são os Verdes/Aliança Livre Europeia, que conquista 17 deputados.




O partido ao qual o PAN, que elegeu o seu primeiro eurodeputado, Francisco Guerreiro, se vai juntar agrupa maior parte dos partidos ecologistas europeus, incluindo o SNP de Nicolas Strugeon, a primeira-ministra escocesa. A partir destas eleições, os Verdes são a quarta força política do Parlamento Europeu, atrás dos Sociais Democratas, do Partido Popular Europeu e dos Liberais Democratas. 

O caso alemão

Na Alemanha, a União Democrata-Cristã (partido da chanceler Angela Merkel) era o partido mais votado, com 28% dos votos, pela 1h, em Portugal. Já o partido de extrema-direita, a Alternativa para a Alemanha (AfD), se preparava para um resultado bastante abaixo do conseguido em 2014. 

Há dois anos, a AfD conseguiu 12,6% dos votos nacionais, mas nestas eleições para o Parlamento Europeu deve ficar-se pelos 10%, ficando atrás do SPD e do GRÜNE-G/, o maior partido ecologista alemão, que deve conseguir 22% dos votos naquele país, sendo um dos grandes vencedores da noite a nível nacional e internacional.

59% dos alemães foram votar este domingo. Quase mais 11% do que os 48,2% que foram às urnas em 2014.




O caso grego

Na Grécia o Syriza sofreu uma pesada derrota, com o primeiro-ministro Alexis Tsipras a convocar eleições antecipadas, devido à forte derrota sofrida às mãos da Nova Democracia. As sondagens mostravam que o partido perdia nove pontos percentuais face ao seu adversário direto, a Nova Democracia. 

O líder da Nova Democracia, Kyriakos Mitsotakis, pediu a Tsipras que se demitisse, por ter perdido o voto popular. 

Caso não convocasse eleições, Tsipras tinha de abandonar o governo em outubro. 

A Aurora Dourada, partido de extrema-direita e neofascista grego passou dos 9% para os 4,5%.

Itália e a vitória do populismo

Na Itália, o ministro do Interior Mateo Salvini confirmou o seu partido anti-migração como uma das forças políticas cimeiras naquele país, sendo o partido mais votado, deixando para trás o Movimento 5 Estrelas, com quem está coligado no governo. 

O 5 Estrelas terá perdido cerca de um terço da base de apoio comparativamente às legislativas. Esta diferença entre apoio pode ter repercussões ao nível da governação do país.

Nas sondagens à boca da urna A Liga tinha entre 26% e 31% dos votos, uma subida na ordem dos 6 pontos percentuais comparativamente às eleições de 2014. 

Este resultado parece confirmar a crença anti-migração do povo italiano, apesar da oposição a ambos os partidos, o Partido Democrático tenha aumentado relativamente ao resultado de 2018, nas eleições nacionais, apesar de ficar muito atrás dos resultados de 2014, em que conseguiu 40,8% dos votos.




Marine Le Pen e a mensagem a Macron

A União Nacional de Marine Le Pen ganhou, pela segunda vez, as eleições europeias em França, deixando para trás o Renascença, de Emmanuel Macron, que ficou em segundo.

A líder da antiga Frente Nacional pediu ao presidente que dissolvesse a Assembleia Nacional, onde Macron tem a maioria do apoio.

"Cabe ao Presidente da República tirar as consequências, ao fazer destas eleições um referendo à sua política e até à sua pessoa. Não há outra alternativa além de, no mínimo, dissolver a Assembleia Nacional", disse Le Pen no seu discurso.





O caso paragdimático do Reino Unido

No Reino Unido, Nigel Farage conseguiu vencer as suas segundas eleições Europeias consecutivas, apesar de ser o partido que mais contribuiu para a saída do Reino Unido. Em 2014, o UKIP de Farage venceu com quase 27% dos votos. Desta vez, o recém-criado Partido do Brexit chega aos 31,6%, um aumento de quatro pontos percentuais.

As sondagens mostravam que os eleitores tinham castigados os partidos pró-europa nas primeiras eleições desde o referendo do Brexit. 

A maior derrota pertence ao partido de Theresa May, que sofre uma derrota de cerca de 10 pontos percentuais, passando para os 12,4%. A confirmar-se, pode ser o pior resultado de sempre da História do partido.

No entanto, os partidos que advogam manter-se na União Europeia continuam a ser os mais votados, se coligados, mostram as projeções.




À proa da anti-migração: Orbán e o Fidesz

Na Hungria, bastião do movimento europeu anti-migratório, o partido de Viktor Orbán, o Fidesz conseguiu 52% dos votos. Dos 21 deputados eleitos, 13 são deste partido, na Hungria.

Em segundo lugar nas eleições ficou a Coligação Democrata e depois o Movimento Momento com dois. A coligação da esquerda com os verdes conseguiu apenas um assento.

Katalin Cseh, do MM, disse ao POLiTICO, citada pelo Expresso, que "gostaria de ver os deputados ultrapassar as linhas partidárias e trabalhar em conjunto para contrariar o Fidesz de Orbán".




Na vizinha Espanha, a vitória também é socialista

Em Espanha, o PSOE  pode conseguir 17 lugares, o PP 10 lugares, o Cidadãos 9, o Podemos fica com 7 e o Vox com 3, um resultado aquém do esperado.

Nas legislativas o Vox, partido de extrema-direita conseguiu 10,3% dos votos, descendo agora, poucas semanas depois, para os 6,5%.

Nos Países Baixos, o Nexit foi derrotado

O Partido Trabalhista da Holanda (PvdA), formação encabeçada por Frans Timmermans, venceu com 18,10% dos votos as eleições europeias, segundo projeções divulgadas pelo Parlamento Europeu (PE), que indicam também que os nacionalistas ficam na quarta posição.

O partido de Baudet, reconhecido como o novo rosto da direita populista holandesa, era apontado como um dos potenciais vencedores das europeias na Holanda, um dos países fundadores da União Europeia (UE) e que elege um total de 26 eurodeputados para o Parlamento Europeu.

Defensor de um potencial ‘Nexit’ (a saída da Holanda da UE), Baudet é conhecido por ter um discurso dirigido às elites e por afirmações polémicas sobre a imigração, a igualdade entre homens e mulheres ou as alterações climáticas.

A Esquerda Verde, com 10,50% dos votos, terá conseguido também eleger três eurodeputados.

A Holanda votou na quinta-feira, tendo sido, a par do Reino Unido, um dos primeiros países a votar no calendário das europeias.




Escândalo Ibiza não afeta governo austríaco

Na Áustria, as projeções apontam para uma vitória do ÖVP, partido de centro-direita do chanceler Sebastian Kurz, com 34,5% dos votos. Já o partido de extrema-direita FPÖ perde dois pontos percentuais, caindo para o terceiro lugar.

O partido do governo, o ÖVP não parece ter sido prejudicado pelo "escândalo de Ibiza" que levou à queda do n.º 2 do governo. O escândalo envolvia um vídeo em que se via o vice-chanceler austríaco, Heinz-Christian Strache, a prometer contratos públicos a uma mulher que fazia passar-se por neta de um oligarca russo.


Outros resultados

Na Dinamarca, o Partido Popular perdeu metade dos eurodeputados, uma queda acompanhada pela extrema-direita. A vitória pertence aos socialistas. O Movimento Popular Contra a União Europeia pode ter o seu pior resultado de sempre, 3,7%, perdendo o único deputado que tinha no Parlamento Europeu.

Na Bulgária, o partido de centro GERB deve vencer as eleições co 33% dos votos, com o BSP (afeto à bancada socialista europeia) a conseguir 23%. Os nacionalistas do VMRO devem ficar-se pelos 6,8, sem conseguirem eleger qualquer eurodeputado.

O Fine Gael, partido conservador que forma governo na Irlanda, vence as europeias com 29% dos votos, elegendo quatro eurodeputados, segundo projeções divulgadas pelo Parlamento Europeu. O partido ecologista Partido Verde fica em segundo lugar, com 15%, ao lado do Fianna Fail. A Irlanda votou nas europeias na sexta-feira.

Na Roménia, as sondagens à boca das urnas mostram que deve haver um empate entre as duas principais forças políticas, de centro-direita e centro-esquerda.

Na Suécia, o partido de extrema-direita Democratas Suecos deve conseguir o dobro do resultado das eleições de 2014, com 16% dos votos, ficando em segundo lugar, atrás dos sociais-democratas, o partido no poder. O partido de centro-direita Moderados deve ter 17% dos votos.
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