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Correio da Manhã

Portugal
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"Não consigo ter pena dele": Agressor morre a sovar a mulher com um ferro

Queixas às autoridades não impediram homem de tentar, esta quarta-feira, matar a mulher e os dois filhos.
Ana Silva Monteiro 23 de Janeiro de 2020 às 01:30
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Morre enquanto bate na mulher
Cunhada de homem que morreu a bater na mulher
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Morre enquanto bate na mulher
Cunhada de homem que morreu a bater na mulher
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Homem morre a agredir mulher com um ferro
Morre enquanto bate na mulher
Cunhada de homem que morreu a bater na mulher

As sucessivas queixas às autoridades de nada valeram e, esta quarta-feira, o homem de 69 anos voltou a bater com um ferro na mulher, de 73, e nos dois filhos. Sova que só não acabou em maior tragédia - a família diz que ele queria matar os três - porque o agressor morreu fulminado por um ataque cardíaco, no local do crime, a casa que partilhavam em Labruge, Vila do Conde.

"Não consigo ter pena dele por ter morrido. Ele não faz falta aqui, aliás, morreu a fazer mal a quem mais gostava dele. Batia, ameaçava e tratava mal a mulher, que tão bem lhe fazia", conta Bárbara Santos, cunhada da vítima - que, tal como os filhos, foi hospitalizada.

O alerta chegou à GNR pelas 08h30, quando a filha que vivia com o casal chegou a casa e encontrou a mãe ensanguentada e prostrada no chão da garagem. "A minha sobrinha foi deixar a filha na escola e quando voltou viu aquele cenário. Começou aos gritos e ele bateu-lhe também a ela e ao filho, que veio tentar ajudar as duas mulheres. O objetivo dele era matar toda a gente", refere Bárbara Santos.

Casados há mais de 50 anos, a relação, segundo os vizinhos e os familiares, foi sempre pautada por violência. "Ele batia-lhe muito. Fez-lhe o mesmo que fazia à mãe quando ela morava num anexo da casa. Já existiam várias queixas nas autoridades. A mulher com medo, porque uma vez deu-lhe murros na cama e tentou estrangulá-la, dormia com a filha e com a porta fechada. A última vez que chamaram a GNR foi porque ele arrombou a porta do quarto", contou Bárbara Santos, que vive ao lado de onde morava o agressor com a mulher, os dois filhos e a neta de 12 anos.

Mulher agredida sofre de cancro
A mulher de 73 anos tem graves problemas de saúde, mas nem isso parou a fúria do agressor. Há poucos anos, a vítima foi submetida a uma cirurgia a um cancro nos intestinos, tendo feito vários tratamentos de quimioterapia. Apesar da doença, o marido continuou a espancá-la. Esta quarta-feira, foi assistida no local pelos Bombeiros de Vila do Conde e pelo INEM e transportada, em estado considerado grave, para o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde ficou internada, depois de ter sido violentamente espancada pelo marido com um ferro.

Os filhos do casal - que foram agredidos enquanto prestavam socorro à mãe - também necessitaram de receber tratamento hospitalar, na mesma unidade de saúde, mas tiveram alta ainda no dia desta quarta-feira.

A filha - que vivia com os pais e que também está a fazer tratamentos por causa de um problema oncológico - ficou com hematomas na cara e no corpo. Já o filho, que vivia num anexo junto à casa onde aconteceu o crime, ficou com um dedo de uma das mãos partido. Os dois regressaram a casa durante a tarde desta quarta-feira.

Polícia Judiciária investiga o caso
A GNR foi a primeira força policial a estar no local, mas o caso passou para a Polícia Judiciária, que está a investigar o caso. Os inspetores estiveram esta quarta-feira de manhã a realizar as primeiras perícias na habitação. Voltaram à tarde acompanhados do filho do casal - que teve alta hospitalar - e continuaram com os trabalhos, tanto na casa como nos campos que ficam em volta da propriedade.

Corpo levado para o Instituto de Medicina Legal para autópsia
O corpo do agressor foi retirado da casa pelas 12h00, depois de perícias feitas no local pelas autoridades, e levado para a Medicina Legal do Porto. Segundo os vizinhos, não teria nenhuma doença. A autópsia será crucial para confirmar as causas da morte.

Alerta para o crime dado por um vizinho
Foi um vizinho, que ainda viu o agressor com vida, quem alertou as autoridades. "Estava a passar junto da casa quando ouvi os gritos da filha. Liguei para a GNR, mas afastei-me porque o vi e tive medo que se virasse a mim. Quando a GNR chegou ele já tinha morrido. Foi tudo muito rápido", disse Fernando Silva.

DEPOIMENTOS
Bárbara Santos, cunhada do casal: "Ela chegou a fugir para minha casa com medo"
A viver ao lado do casal, os cunhados auxiliaram algumas vezes as vítimas. "Ela chegou a fugir para minha casa com medo. Ela levou muita porrada, mas, infelizmente, continuava a gostar dele."

Fernanda Barbosa, amiga da vítima: "Ela não podia falar com ninguém"
Além de ser agredida, a vitima de 73 anos quase não saía de casa. "Ela não podia falar com ninguém. Estava sempre com medo, falava sempre baixo e a olhar para todos os lados para ver se ele estava por perto."
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