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Correio da Manhã

Portugal
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"Sou o mais injustiçado": Mustafá diz que não gostava de Bruno de Carvalho e relata ataque à Academia do Sporting

Arguido no processo afirma que não quis agredir jogadores.
Débora Carvalho 26 de Fevereiro de 2020 às 10:42
Ataque à Academia de Alcochete
Ataque à Academia de Alcochete

Arrancou esta quarta-feira a 33.ª sessão de julgamento do ataque à Academia de Alcochete. Durante a manhã Pedro Lara e Valter Semedo são ouvidos em tribunal e à tarde será inquirido Mustafá. 

Na sessão anterior foi ouvido Rúben Marques que confessou em tribunal que foi ele quem agrediu Bas Dost com um cinto no ataque à Academia de Alcochete, a 15 de maio de 2018. "Vi o Bas Dost no corredor. Desferi-lhe uma pancada na cabeça", revelou, acrescentando que "foi um bate e foge".

O arguido explicou que "no dia seguinte à confusão na Madeira" lhe mandaram uma mensagem "para ir à Academia". "Perguntaram-me se queria ir à Academia. Disseram-me que era para ir bater nos jogadores e eu fui", explicou. A juíza Sílvia Pires questionou-o depois se tinha batido no jogador Misic. "Não", respondeu, sublinhando que tirou o cinto para o utilizar "quando estava a chegar ao campo de treino, enquanto outros também tiravam". 

Ao minuto: 

18h00 -
Termina a sessão desta quarta-feira. A defesa de Mustafá apresentou um requerimento para alterar a medida de coação do arguido.

17h13 -
"Não somos o braço armado de nenhum presidente, somos o braço armado do Sporting", afirma Mustafá, que acrescenta que BdC nunca pediu aos elementos da claque para darem um "aperto" aos jogadores.

16h55 - Mustafá queixa-se de estar preso há nove meses sem investigação. "Estou preso por 14 gramas sem investigação. São nove meses preso. Não sou nenhum santo, mas há limites", desabafa.

16h35 -
"Cheguei da Madeira na segunda-feira [14 de maio], apaguei e caiu me o mundo em cima", relembra o arguido, sublinhando que usaram o seu nome de forma abusiva nas conversas.

16h18 - 
Mustafá diz que não conhece metade dos arguidos. "Metade daqueles arguidos eu não conheço. Sou o mais injustiçado.Não percebo como é que o Valter [Semedo] foi naquilo", lamenta, recordando que o arguido deu um "passo maior do que a perna". 
"O Valter era uma aposta minha para o futuro da juventude leonina e deu um passo maior da perna. Seguiu um caminho que eu não concordava", afirma. 

16h13 -
Mustafá descreve o que fez no dia 15 de maio, dia do ataque à Academia. "No dia 15 de manhã só me levantei para comer a canja da Cristina [mulher], voltei a dormir e ela acordou me mais tarde para ver o que estava a passar na televisão", começa por dizer. 

Sobre a reunião na 'casinha' com Bruno de Carvalho, o arguido confessa que a mesma foi marcada por ele após os acontecimentos em Madrid. "A reunião foi marcada por mim por aquilo que aconteceu em Madrid, no jogo com o Atlético, com o autocarro partido e elementos detidos. No sábado recebo informação do André Geraldes a dizer que o presidente queria ir à reunião da Juve Leo para explicar os posts" conta e acrescenta "eu estava a borrifar me para os posts do presidente".

Mustafá refere que durante a reunião estiveram presentes André Geraldes, Bruno Jacinto, Vasco e o segurança [da Academia].

"Deram me o feedback do que se tinha passado no Facebook e disse ao BdC para se explicar na reunião... aquilo nem foi uma reunião, aquilo descambou", recorda o arguido e acrescenta "a arrogância do BdB dizia para as pessoas: cala te! Elton Camará até respondeu que ali quem mandava era a juventude leonina. Eu nem sei como é que ele (BdB) não levou umas "pingas" ali", confessou Mustafá.

"Houve um elemento que perguntou se podíamos ir à academia falar com os jogadores, saber o que se passa. Mas isso ficou logo fora de questão", contou.

Sobre a conversa que William Carvalho disse ter tido com Mustafá, em que este lhe disse que o presidente tinha mandado partir os carros, o arguido afirma que é mentira. "Estava em casa quando o Bruno de Carvalho me ligou a dizer "está aqui este "filho da p***" (William Carvalho) que disse que eu mandei partir os carros. E eu pensei: mas isto está tudo louco? Isso é completamente mentira", relembrou.

16h10 - "Eu não votei no Bruno de Carvalho. Era contra o Bruno de Carvalho. Eu não gostava dele. O presidente disse me gostes ou não de mim eu sou o presidente. E eu: eu sou o presidente da juve Leo. Agora, posso lhe dizer, até porque lidei com quatro presidentes, foi um bom presidente. Lutava por aquilo que era melhor para o Sporting", confessou Mustafá.

15h44 -
Juíza pergunta a Mustafá se há alguma razão para o arguido não responder às perguntas que lhe são feitas.

15h41 -
Nesta altura a juíza pergunta ao arguido se "é normal o Samico (vice presidente da Juve Leo)" falar no nome de Mustafá. Este responde que não e acrescenta "ele nunca falou comigo.
Samico disse que Mustafá deu ordem para avançar no grupo de Whatsapp. No entanto, o arguido diz que nunca falaram.

15h40 -
A Juíza afirma que o nome do arguido é várias vezes envolvido nestas mensagens. "Isto não foi sonhado", sublinha, questionando Mustafá se viu a mensagem sobre uma invasão a Alcochete no dia 14. "Não, nada do que se passou é normal", responde o arguido.

15h36 - 
A Juíza questiona o arguido sobre mensagens num grupo do Whatsapp, no dia 13 de maio, no qual é escrito que "a última palavra é de Mustafá", e onde os membros da claque combinavam ir esperar jogadores junto às garagens. "Não falei com ninguém. Não dei ordem nenhuma", afirma.

15h28 -
Mustafá garante que  no dia do ataque não esteve na academia e que não sabia da deslocação `sa mesma. Esclarece ainda que no dia do jogo com o Marítimo, na Madeira, não assistiu à partida porque acabou por dar o bilhete. "Estava com elementos do grupo e já tinha bebido um pouco demais. No intervalo do jogo até fui para o apartamento. Durante a noite nem vi o telemóvel, o que apareceu na televisão passou-me ao lado", afirma.

15h21 -
 Mustafá afirma que "desde o interrogatório que os indícios são os mesmos". Questionado sobre Fernando Mendes, este garante que o mesmo "nada tinha nada a ver com a Juventude Leonina, apenas tinha a ver com merchandasing", acrescentando que mantinham um bom relacionamento.

15h20-
Mustafá começa a ser ouvido. 
Juíza questiona-o se esteve na Academia no dia 15 [de maio de 2018]. "Não, antes estivesse", responde Mustafá. 
"Evitava, já sei", comenta a juíza.

15h17- "
Quero mostrar o meu profundo arrependimento", disse o arguido.
"Aquilo não pode representar o futebol português", continua.
"Quero pedir desculpas sinceras aos jogadores, staff, Sporting à sociedade".
"Estive 14 meses em reclusão. O meu avô faleceu e não estava presente. Ele até foi um jogador do Sporting", lembra António Catarino.

15h00 -
Começa a sessão da tarde. Começa a falar António Catarino. 

12h36 -
Valter Semedo admite que "era um adepto que já não fazia bem ao desporto" e que achava que tinha "o direito de mostrar" o seu descontentamento. "Sinto-me bastante envergonhado", conclui. 

11h47 -
Ainda questionado pela juíza, o arguido Valter Semedo disse ser próximo de Nuno Mendes (Mustafá). 

11h44 -
No grupo da rede social foi ainda falada a hipótese de usarem a carrinha da claque "Juve Leo", dizendo que tinham de pedir autorização ao Mustafá para o fazer. 

A juíza questiona o arguido sobre se chegaram a pedir autorização. 

11h41 -
"Têm mesmo que levar nos cornos", disse Valter Semedo no grupo do Whatsapp onde foi combinado o ataque.

11h36 -
Valter Semedo começa a ser ouvido. "Perante a confusão no final do jogo da Madeira começou a haver vontade de ir à academia e mostrar o descontentamento primeiro pelo resultado e depois pela atitude que o jogador teve no final do jogo", revelou o arguido, estando a referir-se à atitude de Acuña.

O arguido criou o grupo de Whatsapp "Academia Amanhã" e disse em tribunal que começaram a combinar as coisas para perceber como se iam organizar. No entanto, diz que as mensagens trocadas "eram a gozar".

Valter Semedo disse ainda que saiba que a entrada não estava autorizada e contou que não viu os jogadores no campo mas sim Jorge Jesus. "Dirige-me para a zona do balneário. Tentei abrir a porta porque vi os jogadores do outro lado", disse o arguido que contou ter ouvido Bas Dost a queixar-se da cabeça a William de Carvalho. 

10h30 -
O Ministério Público afirma que as tochas foram arranjadas por Pedro Lara. Confrontado com isto, o arguido diz que arranja mas que não levou nada nesse dia. 

10h27 - 
"Nunca iria lá se soubesse que era para bater", concluiu. 

10h20 -
Pedro Lara diz não ter chegado a entrar no balneário nem ter visto Jorge Jesus ou Bas Dost. 

10h20 -
"Percebi que algo tinha corrido mal, ouvi-os gritar 'vamos embora'", afirma acrescentando que se foi embora nessa altura. 

10h19 -
"Quando entro, está lá o Manuel Fernandes a barafustar. Fiquei por ali um pouco depois da entrada do corredor. Era muita confusão e barulho". Pedro Lara descreve o ambiente que se vivia quando chegou à Academia.

10h15 -
"Tapei a cara com uma gola, levei-a comigo. Sabia que iam estar lá jornalistas e não queria aparecer na televisão", descreve acrescentando que foi atrás do grupo que ia mais à frente.

10h09 -
"Era para irmos criticar o Sporting e depois disso iríamos dar um incentivo porque eles iam jogar a final da Taça", afirma começando então a descrever o que aconteceu no dia do ataque. 

10h00 -
Pedro Lara, arguido no processo, é o primeiro a ser ouvido. "Mandaram-me mensagem a perguntar se eu queria ir à Academia no dia antes", começa por expllicar.

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