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Correio da Manhã

Portugal
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Padre António Teixeira acusado do desvio de esmolas e de arte sacra

Segunda sessão do julgamento marcada por depoimento de pároco que denunciou ilícitos que atingem os 420 mil euros.
João Saramago 22 de Setembro de 2020 às 15:04
Padre José Almeida
Padre José Almeida
Padre António Teixeira
Padre José Almeida
Padre José Almeida
Padre António Teixeira
Padre José Almeida
Padre José Almeida
Padre António Teixeira

A segunda sessão do julgamento do padre António Teixeira, acusado pelo Ministério Público, de atos ilícitos num valor de 420 mil euros referentes a desvio de esmolas e fiéis e de arte sacra, ficou marcada pelo depoimento do padre José Manuel Almeida, que revelou ter encontrado em Campo de Ourique (Lisboa) a "casa paroquial esvaziada".

O pároco José Pereira Almeida foi quem, denunciou o desaparecimento das peças de arte após ouvir queixas de fiéis na igreja de Santo Condestável, em Campo de Ourique.

O desaparecimento foi denunciado depois de António Teixeira ter pedido para deixar a referida paróquia.

Em janeiro de  2017, o padre da paróquia vizinha de Santa Isabel assumiu, então, a administração de Santo Condestável e efetuou as denúncias junto da Polícia Judiciária em março do mesmo ano.

Perante o coletivo de juízes presidido por Helena Leitão, José Pereira Almeida, respondeu que o padre acusado dinamizou a paróquia e que à sua saída, Santo Condestável "tinhas as contas numa situação confortável". 

Na primeira sessão do julgamento, a 15 de setembro último, foram ouvidos vários inspetores da Polícia judiciária, cuja investigação conduzir à acusação.

Um inspetor-chefe da Polícia judiciária revelou, em tribunal, que o Mercedes do padre foi apreendido na casa de um irmão, na Costa de Caparica (Almada).

A igreja de Santo Condestável guarda os restos mortais de Nuno Alvares Pereira, santo da Igreja Católica, por decisão de Bento XVI.

O padre António Teixeira é acusado pelo Ministério Público de um crime de furto qualificado, dois de abuso de confiança e um de branqueamento de capitais.

A acusação sustenta que terá usado o dinheiro desviado num esquema de compra e venda de carros. Entre 2011 e 2017 foi proprietário de 19 veículos.

À data da apreensão do Mercedes, seria proprietário de mais dois veículos, segundo o depoimento do inspetor-chefe da PJ em tribunal.

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