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Correio da Manhã

Portugal

Paquete acusado de afundar patrulha costeiro da Armada venezuelana

Cruzeiro de luxo de bandeira de conveniência portuguesa, mas de empresa canadiana, envolvido na colisão.
Sérgio A. Vitorino 2 de Abril de 2020 às 08:31
‘Resolute’ está à guarda da Holanda, com a proa danificada após colidir com um patrulha da Armada venezuelana
‘Resolute’ está à guarda da Holanda, com a proa danificada após colidir com um patrulha da Armada venezuelana FOTO: Direitos Reservados

Um navio de cruzeiros de bandeira portuguesa, mas de proprietários canadianos e sem qualquer tripulante português, é acusado pela Venezuela de "terrorismo e pirataria"após ter alegadamente colidido e afundado um patrulha costeiro da Armada venezuelana, sem causar vítimas.

O incidente ocorreu às 05h45 (hora de Lisboa) de segunda-feira, supostamente em mar territorial da Venezuela, a norte da ilha La Tortuga, assegura aquele país e contesta o paquete. Os venezuelanos dizem que o patrulha intercetou o cruzeiro e ordenava que fosse para Margarita.

"Inicialmente aceitou", diz o ministro da Defesa, Padrino López. Com medo e certo de estar em mar internacional, o comandante não terá acatado e o patrulha colocou-se no caminho do cruzeiro, dando-se a colisão. O navio ‘Resolute’, de 122 metros, 150 passageiros e 110 tripulantes, seguiu para Willemstad, Curaçau, onde está à guarda da Holanda com a proa danificada. É acusado não ter prestado assistência aos náufragos (44 militares) após colidir com o ‘Naiguatá’, de 80 metros e construído em Espanha.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o cruzeiro de "terrorismo e pirataria", argumentando que "se tivesse sido um barco de turistas não teria tido essa atitude de querer agredir". "É como se um gigante pugilista de 100 quilos agarrasse um menino", disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse esta quarta-feira que existe disponibilidade para investigar. "Não é um incidente entre Estados. Há toda a disponibilidade para colaborar", afirmou.

PORMENORES
Madeira
Centenas de navios de empresas e privados estrangeiros estão registados na MAR (Sociedade de Desenvolvimento da Madeira), devido aos benefícios fiscais concedidos e estatuto comunitário.     

Colaboração
A Autoridade Marítima só tem jurisdição nas águas portuguesas. Mas o Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos, do Ministério do Mar, pode ser chamado por ser um navio de bandeira lusa.

Cruzeiros
O ‘Resolute’, da One Ocean Expeditions, costuma fazer cruzeiros de luxo e aventura nas Caraíbas, Ártico e Antártica. No final de 2019, esteve perto da falência e deixou de pagar a tripulantes.

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