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Correio da Manhã

Portugal
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Pirata informático Rui Pinto troca segredos por liberdade sob vigilância

Hacker aceitou cooperar com a Polícia Judiciária e saiu esta quarta-feira da prisão preventiva.
Tânia Laranjo, Débora Carvalho e Liliana Rodrigues 9 de Abril de 2020 às 01:30
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Pirata informático Rui Pinto troca segredos por liberdade sob vigilância
Rui Pinto aceitou colaborar com a Polícia Judiciária e saiu esta quarta-feira da prisão preventiva, onde se encontrava há mais de um ano. O hacker português deixa a prisão, mas passa a viver numa liberdade condicionada, ou seja, sujeito a prisão domiciliária e proibido de aceder à internet, sob vigilância da Polícia Judiciária 24 horas por dia.

O acordo de colaboração foi validado pela juíza de instrução Cláudia Pina e é extraordinário. Não existe memória - desde o caso dos FP 25, no início dos anos 80 - de uma situação semelhante. Rui Pinto fica à ‘responsabilidade’ da PJ e poderá circular sob supervisão daquela polícia.

Este acordo ‘inédito’ prevê ainda atenuantes na medida da pena, se for condenado no caso da tentativa de extorsão à Doyen e intrusão informática nos servidores de empresas e entidades públicas, como a Procuradoria-Geral da República.

O pirata informático comprometeu-se a descodificar os dez discos externos que a PJ apreendeu na Hungria, mas que as autoridades ainda não tinham conseguido abrir na sua totalidade. Em causa estarão emails e outros documentos que, segundo o hacker, comprometem o mundo do futebol, mas também teias de influência noutras áreas, como a política e a Banca. Os dados foram obtidos de forma ilícita, à semelhança daquilo que aconteceu com a informação que já tinha sido revelada pelo hacker no site Football Leaks e não podem ser usados como prova direta.

A informação poderá ser útil para inquéritos que já estão em curso ou para a abertura de novas investigações. Em janeiro, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu levar a julgamento Rui Pinto por 90 crimes de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão, mas deixou cair 57 dos 147 crimes pelos quais o arguido havia sido acusado pelo Ministério Público.

Os prazos também estavam a apertar-se. A pronúncia não foi nos exatos termos da acusação, o que significa que havia recurso. O processo ainda está na Relação de Lisboa e não há para já qualquer decisão.

Hacker está protegido dos adeptos para que nada lhe aconteça no mundo do futebol
Rui Pinto foi um ‘protegido’ das autoridades desde a primeira hora. Esteve sempre sob a vigilância da PJ na cadeia anexa à rua Gomes Freire e nunca foi importunado por outros reclusos.

A situação vai agora ganhar novos contornos, quase de filme. Rui Pinto terá uma proteção 24 horas por dia e nenhum adepto de futebol, os principais alvos da fúria contra o hacker, o poderão importunar. Rui Pinto está completamente resguardado de qualquer abordagem mais violenta no mundo do futebol.

PORMENORES
Acesso a advogados
Através do acesso ao escritório de advogados PLMJ, Rui Pinto teve acesso a vários processos judiciais, como Vistos Gold e caso EDP. Também foram copiados documentos do caso das Secretas.

Detido na Hungria
Rui Pinto foi preso na sua casa em Budapeste, na capital da Hungria, depois do pai o ter visitado. Foi nessa viagem que a Polícia Judiciária soube onde morava o hacker mais procurado do País.

Prisão Preventiva
Rui Pinto esteve em prisão preventiva, devido à extorsão que fez à Doyen, no caso que envolvia o Sporting. O pirata informático pediu meio milhão para não divulgar os dados relativos a contratos. Chegou a tornar público o contrato de Jorge Jesus.
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