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Correio da Manhã

Portugal
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Polícias põem 209 na cadeia

Mais de 200 pessoas foram detidas entre a tarde de sexta-feira e as 14h00 de ontem em quatro operações realizadas pela GNR e pela PSP na Grande Lisboa, no Porto e em diversas localidades do Alentejo e Algarve.
15 de Abril de 2007 às 00:00
Na operação da Brigada de Trânsito da GNR na Grande Lisboa estiveram presentes 62 patrulhas, com um total de 151 elementos
Na operação da Brigada de Trânsito da GNR na Grande Lisboa estiveram presentes 62 patrulhas, com um total de 151 elementos FOTO: Vítor Mota
Do total de 209 detidos, 103 foram-no por conduzirem sob o efeito do álcool, 39 por condução sem habilitação legal, dez por posse de droga e 33 por estarem em situação ilegal no País, entre outros como posse de armas e desobediência.
Na zona da Grande Lisboa a Brigada de Trânsito da GNR montou uma megaoperação, em que participaram 151 elementos, não só da BT, mas também do Regimento de Infantaria e da Escola Prática da Guarda. A BT aproveitou a acção para testar o Sistema de Contra-Ordenações de Tânsito (SCOT), um programa informático que começou a ser utilizado por aquela força no início do mês.
A operação, destinada principalmente à fiscalização de condutores sob o efeito do álcool e em excesso de velocidade, decorreu entre as 00h00 e as 05h00 de ontem no IC 19 (junto à saída para o Cacém e ao hospital), na ponte Vasco da Gama e no IC2 (Santa Iria). No total foram detidas 16 pessoas: oito por conduzirem com taxa superior a 1,20 g/l; e outras tantas por o fazerem sem carta de condução.
Os militares detectaram igualmente 138 condutores em excesso de velocidade. Para além de utilizar radares fixos, instalados nos pontos de fiscalização, a BT realizou o controlo de velocidade noutras vias, nomeadamente na A2 e na A5.
A situação mais complicada registou-se na A2, quando uma patrulha detectou um indivíduo a circular a 183 km/h, ao quilómetro 20 daquela via, junto a Palmela. O condutor ignorou as ordens para parar, pondo-se em fuga na EN 252, que liga Palmela a Setúbal. Já na localidade de Aires, o indivíduo em fuga apagou as luzes da sua viatura, na tentativa de iludir as autoridades. A alta velocidade e sem iluminação, o infractor despistou-se, colidindo com o muro de uma habitação. Mesmo assim não desistiu, pondo-se em fuga a pé. Foi rapidamente interceptado pelos elementos da BT, que o detiveram. Os militares verificaram que o homem não tinha carta de condução e que a viatura em questão não tinha seguro nem inspecção. Morador no bairro da Bela Vista, em Setúbal, o homem será presente a tribunal amanhã.
A operação da PSP incidiu na fiscalização de trânsito e a estabelecimentos de diversão nocturna na zona da Grande Lisboa. Da acção, realizada em Loures, Cascais Baixa lisboeta e avenida 24 de Julho, resultaram 115 detidos.
A polícia deteve 66 pessoas por condução sob o efeito do álcool, 16 por conduzirem sem carta de condução, quatro por posse de droga, treze por se encontrarem no nosso país em situação ilegal e 16 por outras situações, nomeadamente posse de armas proibidas.
BT DE LISBOA FISCALIZOU 1342
Alcides Borges, do Cacém, foi um dos 1 342 condutores fiscalizados na operação da BT. Este condutor não acusou o consumo de bebidas alcoólicas, no entanto outros 33 apresentaram taxas superiores a 0,50 g/l. No IC19 foi interceptado um homem de 37 anos com taxa de 2,57 g/l.
Célia Galante disse ao ‘CM’ que tentou convencer o amigo, alcoolizado, a passar-lhe a chave do carro. “Apercebi-me do estado dele mas ele, teimoso, quis vir a conduzir”, referiu. Em consequência o condutor foi alvo de um processo-crime.
Apesar do grande número de efectivos, algumas pessoas conseguiram fugir ao controlo da GNR, nomeadamente um automobilista e quatro motociclistas. Um oficial da BT disse ao ‘CM’ que não estão autorizados a utilizar correntes na via.
Revoltada, Zulmira Garcia, salientou que este tipo de operações são infrutíferas, referindo casos em que condutores alcoolizados matam pessoas. “Eles vão a tribunal e os juizes mandam-nos para a rua. No dia a
seguir estão bêbados outra vez. Isto é uma vergonha!”
OUTRAS OPERAÇÕES
‘ZAIRA’: 48 DETIDOS
A GNR deteve 48 pessoas no âmbito de uma operação de fiscalização de combate à prostituição, tráfico de droga e infracções ao código da estrada, realizada na zona Norte e que mobilizou 463 militares.
A operação ‘Zaira’, como foi denominada, começou às 22h00 de sexta-feira e decorreu até às 10h30 de ontem.
Cinco estabelecimentos de diversão nocturna da zona do Vale do Sousa foram alvo da presença das autoridades, nomeadamente em Felgueiras, Lousada, Lixa e Amarante.
COBRAS APREENDIDAS
Na operação foram detidas três pessoas por estarem a ser procuradas pela Justiça, duas por posse ilegal de arma e outras duas por desobediência. Doze cidadãs brasileiras sem autorização de permanência no País foram também interceptadas.
No âmbito da operação foram apreendidas uma dezena de viaturas e haxixe para 110 doses. Todavia, a apreensão mais surpreendente foi a de duas cobras piton e de um faisão. Os animais faziam parte de um espectáculo erótico e foram apreendidos porque os proprietários não apresentaram documentação demonstrativa da sua importação.
Já na manhã de ontem, pelas 07h00, a GNR realizou sete buscas domiciliárias em Valongo, no âmbito de um inquérito por tráfico de droga, tendo sido detidos três homens e uma mulher e apreendido pólen de haxixe suficiente para cerca de 620 doses individuais, cerca de 5500 euros em dinheiro, um cheque ao portador no valor de 2500 euros, telemóveis e diverso material normalmente utilizado no tráfico e consumo de drogas.
Os quatro detidos serão presentes segunda-feira ao Tribunal de Valongo.
‘FLUTUANTE’: PÕLÍCIAS PÕEM 209 NA CADEIA
Anoite de sexta-feira 13 revelou-se mesmo azarada para muitos automobilistas e frequentadores da noite algavia, apanhados nas malhas da operação ‘Flutuante’ da GNR, que fez 15 detenções na região e instaurou 71 autos de contra-ordenação por violações ao Código de Estrada, tendo fiscalizado mais de 400 viaturas.
A acção, que se estendeu a outras zonas do País e prosseguia ainda ao fim da tarde de ontem, visou fiscalizar estabelecimentos de diversão nocturna, trânsito, tráfico de estupefacientes, fronteiras e ambiente. No Algarve, a operação, acompanhada pelo CM (cuja viatura também foi fiscalizada) envolveu 125 militares – 35 na zona de Vale Judeu - Loulé e 90 em Portimão, Alvor, Albufeira e Armação de Pêra. No Alentejo foram efectuadas mais 15 detenções.
Desencadeada no Barlavento às 23h00 de sexta-feira, com várias operações stop nos principais acessos às referidas localidades, a operação na zona prolongou-se por oito horas, durante as quais foram fiscalizados cerca de 300 veículos, tendo sido detidos, em Albufeira e Portimão, dois condutores alcoolizados e instaurados 63 autos de contra-ordenação. Na cidade do Arade foi detectada uma carrinha com cerca de 380 peças de roupa contrafeita, que foram apreendidas.
Em Albufeira, onde , segundo a GNR, “desde o início do ano foram já efectuadas cerca de 150 detenções em flagrante delito e instaurados 700 autos de contra-ordenação em operações como esta”, foram desta vez detectados vários casos de falta de imposto de circulação. Foi o caso do brasileiro Maurício Faria, de 36 anos, que, apanhado na Rotunda da Praça de Toiros, disse ao CM “ser muito azar”: “Tinha ido buscar a carrinha à oficina, onde paguei 800 euros de arranjo. Agora acontece-me isto”, lamentou.
Minutos depois, nova contra-ordenação era detectada, desta vez a um português que se “esqueceu” da inspecção. Contudo, ao lado, Daniel Cruz, um músico cubano, soprava o balão e sorria porque estava “tudo bem”. “Apesar de ser sexta-feira 13, tive sorte, pois costumo beber e hoje foi uma excepção”, confessou.
SOQUEIRA E BASTÃO APREENDIDOS
Eram 03h00 da madrugada quando a GNR avançou para uma boîte em Armação de Pêra. Pouco depois, os militares encostavam os clientes à parede e revistavam-nos, um a um. No interior da casa, cujo proprietário não apresentou alvará, foram apreendidas uma soqueira e um bastão. Uma brasileira, em situação suspeita, foi conduzida ao Posto. No exterior, os ânimos exaltaram-se devido à presença das máquinas fotográficas e câmaras de filmar dos jornalistas: “Vieram cá por causa do alterne, mas a verdadeira prostituição não acontece aqui.”
Pouco antes, a GNR estivera num bar, na mesma vila, frequentado sobretudo por jovens. Mais de uma dezena – africanos, brasileiros e de Leste – foram considerados suspeitos e levados para o Posto. A fúria não tardou a manifestar-se, com alguns dos frequentadores, no exterior do estabelecimento, a dirigirem-se com obscenidades aos militares e jornalistas. “Há por aí muitos bares abertos fora de horas e vocês não vão lá. Nós estamos sossegados a fumar uns charros e aparecem logo”, gritava um deles, ao mesmo tempo que apontava para os órgãos genitais: “Filmem aqui!” Ao todo, foram fiscalizados dez estabelecimentos de diversão nocturna, a maioria mais calma.
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