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Correio da Manhã

Portugal

Presidente do Parlamento repudia "tentativas de intimidação" de neonazis a deputadas e ativistas

Ferro Rodrigues sublinha que este tipo de atos pode constituir crime e que a situação em concreto "já está a ser investigada".
Lusa 13 de Agosto de 2020 às 10:04
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República
Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República FOTO: Pedro Catarino
O presidente da Assembleia da República repudiou esta quinta-feira as ameaças dirigidas a três deputadas e a ativistas por parte de um "grupúsculo de extrema-direita", condenando os "atos racistas e fomentadores do ódio" e a tentativa de intimidação.

"A tentativa de intimidar deputados e ativistas políticos reveste-se de gravidade suficiente para que, enquanto Presidente da Assembleia da República, não possa - nem queira - deixar de a condenar, manifestando também todo o meu apoio aos visados", escreveu Ferro Rodrigues, numa mensagem hoje enviada à Lusa.


Afirmando ter tomado conhecimento das ameaças com "enorme sentimento de repúdio", o presidente do parlamento sublinha que este tipo de atos pode constituir crime e que a situação em concreto, "conforme é público, já está a ser investigada por parte das autoridades judiciárias".

"Não obstante a gravidade dos acontecimentos, tenho inteira confiança nas deputadas e nos deputados do nosso parlamento, guardiões da nossa democracia, para saber que nunca deixarão os seus atos e as suas opiniões serem condicionadas por vãs tentativas de intimidação por grupúsculos inimigos dos direitos e das liberdades fundamentais", lê-se na mensagem.

Eduardo Ferro Rodrigues alertou que a "direita populista e extremista está a tentar, em muitas democracias consolidadas, ressuscitar do passado de triste memória uma agenda anti-democrática".

Solidarizando-se com as deputadas e demais visados, o presidente do parlamento considerou que "este tipo de atos racistas e fomentadores do ódio é ilustrativo disto mesmo, merecendo, por isso, a mais veemente condenação de todos os democratas e da Assembleia da República".

A Polícia Judiciária está a investigar ameaças feitas por um grupo neonazi a 10 pessoas, entre as quais, três deputadas, Beatriz Gomes e Mariana Mortágua do BE e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, o dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba e o ativista Jonathan Costa, da Frente Unitária Antifascista, conhecidos pelo seu ativismo político antirracista e antifascista.

Ao que apurou o CM, a associação SOS Racismo recebeu um email esta terça-feira que dá um prazo de 48 horas para que estas 10 pessoas rescindam dos seus cargos políticos e abandonem "território português". 
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