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Correio da Manhã

Portugal
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Preso foi ao lixo e fugiu

Em 24 horas fugiram das cadeias portuguesas dois reclusos, um quando foi despejar o lixo e outro quando ia estender roupa. Um terceiro preso foi encontrado morto.
9 de Março de 2005 às 00:00
A fuga mais grave aconteceu em Coimbra. Um recluso, de 55 anos, evadiu-se segunda-feira do estabelecimento prisional da cidade (EPC), aproveitando uma saída à rua para deixar um contentor de lixo. Foi ajudado por dois homens armados e, ontem, continuava a monte.
A cena parece tirada de um filme. Anteontem, pelas 16h45, dois reclusos saíram da zona oficinal do EPC, pelo portão que dá acesso à rua de Tomar. Estavam acompanhados por um guarda prisional e tinham por missão colocar um contentor do lixo no passeio, para posterior recolha pelos serviços da câmara.
Mas, sem que nada o fizesse prever, surgiu uma viatura com dois ocupantes e um deles ameaçou o guarda e um dos reclusos com uma caçadeira de canos serrados. Ao mesmo tempo, o outro preso entrava no automóvel, que se pôs rapidamente em fuga, refere um comunicado emitido ontem pela Direcção-geral dos Serviços Prisionais (DGSP).
O fugitivo, português, cumpria uma pena de 15 anos por roubo, sequestro e falsificação de documentos. Apesar do alerta imediato para as autoridades policiais, o evadido ainda não tinha sido localizado ontem à noite. A DGSP mandou instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias que permitiram a evasão. Entretanto, os responsáveis pela Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento (ACED) divulgaram uma versão diferente.
Numa exposição enviada aos vários órgãos de soberania, a associação relata que “entraram no EPC dois homens armados, ameaçaram os reclusos que estavam no salão de venda de mobílias que se fazem na cadeia e saíram com o recluso que queriam libertar”.
Segundo António Pedro Dores, porta-voz da ACED, é estranho o facto de esta fuga ter ocorrido “numa fase de transição do Governo”, o que considera “uma aviso à navegação” para os futuros responsáveis da tutela da Justiça. Confrontada com a versão dada pela associação, a DGSP considera que “não faz qualquer sentido” e mantém a sua versão para os acontecimentos.
IA ESTENDER A ROUPA E ESCAPOU
Um recluso evadiu-se ontem à tarde da cadeia de Viseu, aproveitando uma saída do edifício para estender roupa.
A fuga do homem, um português, de 33 anos, ocorreu entre as 17 e as 17h30. “Aproveitou o facto de ter ido ao recinto em volta da prisão estender roupa e saltou o muro, mesmo na presença de um guarda”, explicou Maria da Assunção Júdice, da Direcção-geral dos Serviços Prisionais.
Um inquérito em curso vai apurar como é que a fuga foi possível. O recluso estava a acabar de cumprir uma pena de três anos e dois meses, por crimes que não foram divulgados. “Foram já desencadeados todos os procedimentos normais para tentar encontrar o recluso e todas as forças policiais foram avisadas”, acrescentou Assunção Júdice.
O dia também não correu bem aos serviços prisionais em Lamego. Neste caso, um recluso, de 47 anos, condenado por homicídio, foi encontrado morto na sua cela, no estabelecimento prisional da cidade. O homem era cozinheiro da cadeia e, para já, não há suspeitas de crime.
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