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Correio da Manhã

Portugal
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Ricardo Salgado "perplexo" com condenação por violação de prevenção de branqueamento

Ex-presidente do BES fez declarações no Tribunal da Concorrência, sobre condenação do Banco de Portugal.
Lusa 26 de Fevereiro de 2020 às 17:17
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado é arguido
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado é arguido
Ricardo Salgado
Ricardo Salgado é arguido
O ex-presidente do BES declarou esta quarta-feira, ao Tribunal da Concorrência, em Santarém, a sua "perplexidade" pela condenação, pelo Banco de Portugal (BdP), por violação de normas de prevenção de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

Ricardo Salgado está esta quarta-feira a prestar declarações no âmbito do julgamento da impugnação que interpôs junto do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão (TCRS), juntamente com o ex-administrador do Banco Espírito Santo (BES) Amílcar Morais Pires, às coimas aplicadas pelo BdP em maio de 2017, de 350.000 e 150.000 euros, respetivamente.

Ricardo Salgado começou por fazer um depoimento ao tribunal, no qual procurou explicar as medidas adotadas pelo BES junto das unidades no estrangeiro em causa no processo -- os bancos em Angola, Cabo Verde, Miami e Macau --, no sentido de implementar estruturas e normas de "compliance", frisando que o grupo BES foi "pioneiro" nesta matéria em Portugal.

O antigo presidente do BES questionou o sentido de ter sido condenado por conduta dolosa em relação a estas quatro das 26 unidades internacionais do banco, nada sendo apontado em relação às principais sucursais, em concreto Nova Iorque, Londres e Paris.

Em relação ao Banco Espírito Santo Angola (BESA), Ricardo Salgado reafirmou que os quadros colocados nessa unidade tinham provas dadas no BES, incluindo Álvaro Sobrinho, que presidiu à Comissão Executiva do BESA até ser destituído, em 2012 (com efeitos a partir de 2013), e que, acusou, foi o responsável pelas "situações escondidas" e pelas "falhas de reporte".

Frisando que as próprias entidades de supervisão, tanto angolana como portuguesa, e a auditora externa KPMG nunca reportaram nenhuma situação grave, Salgado afirmou que teve sempre "fundados motivos" para acreditar que as instruções sobre o cumprimento das normas de prevenção de branqueamento estavam a ser cumpridas.

Ricardo Salgado reafirmou a convicção de ter sido diretamente visado pelo BdP neste e nos restantes processos que tem em curso, voltando a dizer que não tratava de questões técnicas e que as decisões eram tomadas de forma "colegial" e a declarar a sua estranheza por outros elementos com funções executivas não serem visados pelo supervisor.

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