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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 10:42 | 23/09

PJ revela que polícia francesa acedeu a discos apreendidos a Rui Pinto quando hacker já estava detido

Durante a manhã vai continuar a ser ouvido o inspetor José Miguel Amador.
Correio da Manhã 22 de Setembro de 2020 às 09:40
Rui Pinto
Rui Pinto FOTO: Direitos Reservados



Ao minuto Atualizado a 23 de set de 2020 | 10:42
17:38 | 22/09
Fim da sessão de julgamento. Amanhã continuará a ser ouvido o inspetor da PJ, que ainda será questionado pela procuradora e juíza antes de ser inquirido pela defesa e assistentes.
17:38 | 22/09
Juíza voltou atrás e insistiu numa contestação da defesa, que reclama provas de que os discos não foram adulterados até chegarem a Portugal. O inspetor voltou a reforçar que os resultados dos relatórios das perícias forenses correspondem mas questionado pela juíza sobre se haveria hipótese de os discos terem sido acedidos, manipulados ou alterados antes das autoridades húngaras fazerem a cópia que terá sido entregue à polícia francesa respondeu: "Não havia obviamente qualquer interação detetada".

O inspetor ressalvou ainda: "Mas tudo pode ser manipulado", se formos entrar numa espiral de suspeitas", admitindo que não haveria forma de aferir o eventual acesso anterior ou manipulação dos discos.
17:30 | 22/09
No computador de Rui Pinto estava o registo de acessos a 455 caixas de correio, para além do que estava nos discos. Estas caixas de email, segundo o inspetor da PJ, já não estavam ativas no computador, mas a determinado momento foram acedidas diretamente pelo arguido, segundo a tese do MP. Entre as contas estão várias da PGR e de Amadeu Guerra. Entrada em "parte significativa destas caixas" teve sucesso, garantiu o inspetor José Amador.
17:07 | 22/09
O inspetor continuou a falar sobre os alegados ‘ataques’ de Rui Pinto a magistrados do Ministério Público e PGR.

Nos documentos que o inspetor analisou vem descrito acesso a emails de Joana Marques Vidal, à data Procuradora-Geral da República e dos magistrados Amadeu Guerra, Adriano Cunha, Helena Gonçalves e Maria José Morgado.

Havia também registos de acessos a documentos do caso de Tancos.

No mesmo documento, na última folha, estavam as credenciais de acesso que, segundo a PJ, seriam usadas por Rui Pinto para publicar na última ‘versão’ (alojamento final) do Mercado do Benfica.

Foi ainda revelado na sessão que, no ‘ataque’ levado a cabo a um clube de futebol (não especificado pela PJ) o arguido terá usado o FileZilla para, depois de reunir todos os documentos que seriam de relevo, poder enviá-los para si.
15:44 | 22/09
Só no disco RP3 estavam caixas de email inteiras ‘roubadas’ a 150 contas.

O inspetor da PJ explica que foram encontrados documentos de texto (.txt) que tinham credenciais de acesso de membros da Doyen, Sporting, FPF, FC Porto e muitas outras.

Referiu-se, por exemplo, às contas e passwords de Dani Osvaldo, jogador do FC Porto e de Antero Henriques. Até as perguntas de segurança estavam descritas nesses documentos que Rui Pinto tinha nos discos.
15:34 | 22/09
Rui Pinto riu-se enquanto o inspetor da PJ explicava as diferenças entre sistemas operativos MacOS e Windows e o que implicavam.
15:33 | 22/09
No total, eram 12 discos, 9 dos quais estavam encriptados, ou seja, necessitavam de passwords para poderem ser lidos.

A PJ terá recorrido a "todos os mais avançados conhecimentos" para desencriptar os discos, até contou com ajuda da Europol e Comissão Europeia. "Ainda assim não foi possível", afirma.

No interior estavam 23 TB de informação (qualquer coisa como 230 mil milhões e páginas) e um dos discos, RP3 tinha embutido um sistema operativo próprio que permitia servir de "máquina de ataque" em qualquer computador a que se ligasse o disco.
15:28 | 22/09
Retomada a audição. O inspetor da PJ continuou a explicar que, a 21 de março, chega a Portugal Rui Pinto e o material apreendido ao ‘hacker’, tendo as autoridades portuguesas feito imagem forense (cópia apenas com capacidade de leitura, ou seja, que não altera o conteúdo do disco original) dos vários discos externos que Rui Pinto tinha.

"Era a caixa de Pandora": PJ conta que Rui Pinto tinha o equivalente a 240 mil milhões de páginas de informação protegida.
13:20 | 22/09
Intervalo para almoço. Durante a tarde José Amador irá explicar e clarificar de que forma se pode comprovar que os discos apreendidos ao hacker não foram adulterados pelas autoridades húngaras nas diligências. Em seguida será questionado pelos assistentes do processo e pela defesa de Rui Pinto.
13:20 | 22/09
A PJ revelou também que as notícias que saiam a dar conta do ‘hacker’ por trás do Football Leaks (como no Der Spiegel) também permitiram às autoridades portuguesas "perceber movimentações" e estilo e vida de Rui Pinto na Hungria.

O inspetor da PJ contou em tribunal que o email pessoal de Rui Pinto o ‘tramou’. Ao mesmo tempo que terá levado o alegado ataque ao Sporting, tinha aberta a caixa de email otnip.iur@gmail.com. A mesma conta era usada para falar com o pai.

"Havia coincidência nos endereços de IP e acesso a caixa de correio e sistemas do Sporting. Estava ao mesmo tempo", contou José Amador.

O inspetor da PJ que acompanhou o caso e as diligências na Hungria reforçou a minúcia e o "rigor" feito na apreensão, relatando que mesmo os dispositivos eletrónicos sem memória foram apreendidos. "A oportunidade era só uma", explicou.

José Amador transmitiu ao tribunal as explicações dadas pelas autoridades húngaras sobre a polémica com as provas consultadas pelas autoridades francesas. Os discos estavam guardados no cofre da esquadra do 7.º departamento da polícia de Budapeste (polícia de proximidade, como a PSP portuguesa) e que o pedido de levantamento foi feito pela NNI (a Polícia Judiciária da Hungria), após requerimento das autoridades francesas, pelo que se gerou este ‘atropelo’ entre as autoridades de vários países europeus.
12:41 | 22/09
Pedro Zagacho Gonçalves
O inspetor da PJ José Amador, que acompanhou as diligências na Hungria, até antes do momento da detenção, viu a apreensão feita - 26 sacos-prova, devidamente selados e com a assinatura de Rui Pinto em todos.

Quando voltou para trazer Rui Pinto e as provas para Portugal, os sacos-prova vinham acondicionados num saco maior e faltavam 2: um com cabos e outro que dizia respeito a um papel (género post-it) cor de laranja que teria, segundo a PJ, orientações sobre como iam continuar as publicações do FootBall Leaks, e que foi a única coisa que Rui Pinto contestou durante a apreensão: não queria que lhe apreendessem aquele papel.

O inspetor revelou que ficaram "estupefactos" com o que tinha acontecido: as autoridades francesas tinham pedido para aceder aos discos e foi permitido; mas explicou que está previsto pela lei húngara.

Aliás, segundo deu a entender, a polícia francesa até terá chegado mesmo a interrogar Rui Pinto no período de tempo em que a polícia francesa acedia aos discos.

O inspetor garantiu, no entanto, que as cópias forenses dos discos feitas pelas autoridades húngaras e portuguesas, e os respetivos relatórios, correspondem.

Também os discos encriptados, caso tivessem sido alterados, não abririam os documentos quando Rui Pinto deu a password à PJ. As autoridades francesas também já fizeram pedido à PJ para que sejam partilhadas as palavras-passe de acesso aos discos encriptados de Rui Pinto.
12:15 | 22/09
O inspetor José Miguel Amador revelou que o pai, a irmã e a madrasta de Rui Pinto estiveram com escuta telefónica durante vários meses. No início a Polícia Judiciária não apanhou nenhuma conversação com Rui Pinto mas foi no início de 2019 que as pistas surgiram. 

O pai do hacker recebeu uma referência para pagar uma viagem a Budapeste, na Hungria. E foi nessa viagem que a PJ descobriu a localização de Rui Pinto. 

As autoridades seguiram o pai e a madrasta, que viajaram até Budapeste, e aí encontraram Rui Pinto.

O hacker foi detido a 16 de janeiro de 2019 pelas autoridades hungaras no âmbito de um mandado de detenção europeu.
10:21 | 22/09
Rui Pinto, de 31 anos, assumiu ser o criador do Football Leaks e, sob o pseudónimo 'John', ter divulgado informações que terá obtido de forma ilícita a partir de Budapeste, onde foi detido em 16 de janeiro de 2019.

Durante esta terça-feira, o hacker regressa ao Campus de Justiça, em Lisboa, para a quinta sessão de julgamento. Durante a parte da manh, vai continuar a ser ouvido o inspetor José Miguel Amador.
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