Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Testemunha da morte de polícias mente por medo

A terceira sessão do julgamento de Marcus Fernandes, acusado de duplo homicídio dos agentes da PSP da Amadora, Paulo Alves e António Abrantes, ficou ontem marcada pelas diferentes versões que a testemunha Nuno E. apresentou em relação à noite de 20 de Março. Confrontado com o facto das declarações falsas constituírem crime, Nuno acabou por se justificar com “o medo” que sente do arguido e acrescentou que este o “ameaçou de morte”.
5 de Janeiro de 2006 às 00:00
Perante a acusação, Marcus pediu a palavra e afirmou à juíza presidente, Ana Paula Conceição, que “nunca” ameaçou ninguém. “Ele estava com tanto medo de mim que até me ofereceu a casa de uns familiares, perto da fronteira, para eu me esconder e fugir para o estrangeiro”, disse. “Não aceitei porque vim a saber que o telefone dele estava sob escuta por causa da morte do agente Ireneu [abatido a tiro no Bairro Cova da Moura a 17 de Fevereiro]”, disse.
Nuno E. contou que conheceu Marcus quando trabalhava numa loja que vendia facas, coldres e artigos de caça e pesca. “Ele era um bom cliente”, disse. Um dia, “estava a limpar as armas do patrão e estraguei uma, como o arranjo era caro o senhor Marcus disponibilizou-se para arranjar”, disse.
Dois dias antes da morte dos dois polícias, a mesma arma terá sido furtada da carrinha de Marcus. Já na noite do crime, os dois combinaram encontrar-se num bar da Amadora para “apresentarem queixa na PSP por causa do furto”. “Estacionei o carro e fui abordado por um agente da PSP”, disse Nuno.
As versões que apresentou de seguida foram diversas e contradizem as que deu à Polícia Judiciária (PJ) – onde chegou mesmo a dizer que não conhecia o luso-brasileiro Marcus.
Perante as contradições, o advogado de Marcus, Reis Nogueira, lançou a questão: “Essa arma furtada está relacionada com a morte do agente Ireneu?” Nuno respondeu que não. A testemunha confirmou ainda ter encomendado uma “caixa de munições 9 mm” a Marcus, a “pedido de um agente da PSP”, que o interceptou, disse. A sessão terminou com o juiz Pedro da Cunha Lopes a questionar a Marcus se ele efectuou, ou não, “os disparos”. Marcus remeteu-se, mais uma vez, ao silêncio.
O Instituto de Medicina Legal (IML) ainda não conseguiu concluir a sua inimputabilidade, porque, segundo um relatório enviado ao Tribunal da Boa-Hora, o arguido tem recusado ir a entrevistas e testes fundamentais. Num primeiro relatório, o IML diz que o arguido não apresenta “indicadores de deterioração mental ou amnésica”.
Ver comentários