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Correio da Manhã

Portugal
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Troca de sangue trama médico e enfermeiros de Coimbra

Condenados a penas entre os dois anos e 10 meses e os três anos e meio, todas suspensas, e a pagar 11 mil euros.
Mário Freire 3 de Dezembro de 2020 às 08:52
Médico José Cabral e o enfermeiro Luís Simões
José Piçarra, enfermeiro, assumiu a troca do sangue
Médico José Cabral e o enfermeiro Luís Simões
José Piçarra, enfermeiro, assumiu a troca do sangue
Médico José Cabral e o enfermeiro Luís Simões
José Piçarra, enfermeiro, assumiu a troca do sangue
Foram esta quarta-feira condenados pelo Tribunal de Coimbra, a penas de prisão entre os dois anos e 10 meses e três anos e meio, os dois enfermeiros e um médico que, em 2017, engendraram um esquema de troca de sangue, numa contraprova ao teste de alcoolemia, após o clínico se ter envolvido num acidente de viação, no qual acusou uma taxa de álcool de 1,56 g/l . Todas as penas são suspensas e obrigam os arguidos, que se mantêm em funções, a pagar um total de 11 mil euros a corporações de bombeiros.

Ficou provado que o médico, José Cabral, enquanto era transportado pelas autoridades para o hospital, ligou a Luís Simões, enfermeiro do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde todos trabalham, que por sua vez entrou em contacto com José Piçarra, que estava de serviço nas Urgências. Este último adiou a passagem de turno, de forma a garantir que fosse ele a fazer a recolha do sangue ao médico.

Durante o julgamento, José Piçarra assumiu que retirou sangue da própria veia para ser testado como se fosse do clínico. Os outros dois arguidos declararam que apenas lhe pediram “discrição e rapidez”. Versão que não convenceu o coletivo de juízes. “Os factos são graves e não podem ser punidos apenas com multas. É um abuso de confiança, com violação da ética profissional”, disse a juíza, na leitura da sentença. A magistrada lamentou ainda a falta de colaboração do médico e do enfermeiro que ligou ao colega, sendo que o último “foi o único a colaborar e a ajudar a desmontar o esquema” .

Pormenores
Paga 2500 €
José Piçarra, enfermeiro que retirou o próprio sangue, foi condenado a três anos de prisão, pena suspensa, e tem de pagar 2500 euros a uma corporação de bombeiros.

Pena maior
Luís Simões ligou ao colega de serviço, depois de ter sido contactado pelo médico, e apanhou três anos e meio de prisão, também suspensa. Entrega 3500 euros a um corpo de bombeiros.

Sem conduzir
O médico, José Cabral, levou dois anos e 10 meses. Tem de dar 5 mil euros aos bombeiros. Fica um ano sem conduzir. Todos mantêm funções, mas sem recolher sangue de despistagem de álcool.
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