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Correio da Manhã

Portugal
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Último contingente português partiu para Líbano

Os militares portugueses da Unidade de Engenharia 11 partiram esta segunda-feira do aeroporto militar de Figo Maduro para a última participação na missão das Nações Unidas no Líbano, integrando pela primeira vez no seu contingente onze militares timorenses.
16 de Janeiro de 2012 às 17:57
Esta Unidade de Engenharia será a última a participar na missão da ONU (UNIFIL) no sul do Líbano, fechando quase seis anos de contribuição por parte de Portugal
Esta Unidade de Engenharia será a última a participar na missão da ONU (UNIFIL) no sul do Líbano, fechando quase seis anos de contribuição por parte de Portugal FOTO: Vítor Mota/Arquivo CM

"Espero cumprir a missão na totalidade, prosseguir o bom nome de Portugal que as missões antecedentes deixaram, esse é um dos objetivos, e se assim for, depois, fazer a retracção e acabar, se Deus quiser, com chave de ouro", afirmou à agência Lusa o comandante do contingente português, tenente-coronel Martins Costa, pouco antes da partida para o Líbano.         

Esta Unidade de Engenharia será a última a participar na missão da ONU (UNIFIL) no sul do Líbano, fechando quase seis anos de contribuição por parte de Portugal.         

O tenente-coronel Martins Costa, que irá liderar um contingente de 131 militares, admitiu "algum significado" em ser o responsável pelo último grupo de militares portugueses ao serviço da UNIFIL, mas afirmou que os objectivos da missão são os habituais: "Apoiar as forças da ONU, as forças armadas libanesas, a população, as organizações internacionais. Todas as missões que nos atribuírem lá tencionamos cumpri-las."         

O militar - com experiência de missões internacionais no Kosovo - disse que actualmente se vive no sul do Líbano "uma situação calma, mas volátil".           

O comandante da Unidade de Engenharia 11 referiu que os seus militares foram preparados para os riscos típicos daquela região e salienta que "a boa relação que os portugueses têm tido com a população local é muito importante" neste domínio.         

Questionado pela Lusa sobre o futuro da base portuguesa em Shama, no sul do Líbano, o tenente-coronel Costa afirmou que o material português deverá ser trazido de volta, mas que cabe à ONU decidir sobre a outra parte, já que o aquartelamento lhe pertence.         

"O que me informaram é que a companhia de engenharia ao sair não será substituída por outra, de outra nacionalidade", respondeu ainda.         

Já sobre os 11 militares de Timor-Leste integrados na Unidade de Engenharia, o comandante da força afirmou que estão completamente integrados após seis meses de treino conjunto em Santa Margarida, Santarém.         

"Estes seis meses correram bem, foram interessantes, os militares timorenses chegaram em julho de 2011, começaram-se a integrar com os nossos militares, tiveram alguma formação particular para se adaptarem ao nosso material, ao material do Exército português, e depois, a partir de um determinado ponto, começaram a aprontar e a treinar com o resto da força, em igualdade de circunstâncias", adiantou.         

Por seu lado, o comandante das forças timorenses, tenente José Costa, disse que os seus homens vão "trabalhar principalmente com construções" no Líbano e que na sua equipa há "carpinteiros, pedreiros e operadores de máquinas".         

"Nós somos onze, eu sou o comandante, tenente, e depois temos um primeiro-sargento, um cabo e oito praças. Estamos prontos para fazer construções conjuntas com os portugueses", disse.         

José Costa referiu que a língua foi uma dificuldade inicial na convivência com os militares portugueses, mas que depois de um curso de dois meses e mais seis de treino diário conjunto a comunicação já se faz com facilidade.        

"No início falávamos pouco, mas compreendíamos sempre tudo", explicou, sorridente.  

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