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Correio da Manhã

Portugal
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Vida contra corrupção

Morreu, ontem de manhã, de doença prolongada, o antigo inspector-geral da Administração Interna, Rodrigues Maximiano, de 61 anos. Apelidado de ‘Max’ pelos amigos, notabilizou-se pela investigação das FP-25 e pelo ‘caso fax de Macau’, que levou o ex-governador de Macau, Carlos Melancia, ao banco dos réus.
17 de Março de 2008 às 00:30
Alto, magro, inquieto e activo, dedicou a vida no combate à corrupção. Emotivo, homem de esquerda e especialista em “processos quentes”, gostava de usar gravatas extravagantes. Dizem os amigos que a variedade de cores e desenhos destas revelavam a riqueza de personalidade.
Segundo os familiares, manteve-se sempre activo até aos últimos dias. O funeral realiza-se hoje, pelas 15h00, no cemitério de S. Marçal, em Sintra, depois dos restos mortais terem seguido ontem para a igreja de S. Miguel, igualmente em Sintra.
António Henrique Rodrigues Maximiano, casado com a procuradora-geral-adjunta e directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, nasceu a 26 de Setembro de 1946, em Monserrate, Galamares, Sintra. O casal conheceu-se no Alentejo em 1975. Rodrigues Maximiano foi então ocupar o lugar do actual procurador-geral da República, Pinto Monteiro (então transferido para Loures), como juiz, em Grândola. Cândida Almeida era nesta comarca delegada do Ministério Público. Como recorda Pinto Monteiro, o casal conheceu-se depois de ele os apresentar.
Rodrigues Maximiano começou a sua carreira, em 1969 como delegado do procurador da República, em Ponte de Sôr, depois de concluído nesse ano o curso de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Juiz, em Grândola e Alcácer do Sal, entre 1975 e 1976, foi adjunto do procurador da República no Tribunal da Relação de Lisboa até 1978, exercendo depois até 1983 o cargo de procurador da República. Nesse ano assumiu funções de Alto Comissário Adjunto da Alta Autoridade Contra a Corrupção. Em 1986 regressou às suas funções como procurador-geral-adjunto. De 1996 a 2005 foi inspector-geral da Administração Interna, tornando-se no primeiro ‘superpolícia’. Pautou a sua acção pela adopção de padrões mais exigentes na actuação das forças policiais. Jubilado em 2005, foi vogal do Conselho Superior do Ministério Público.
HOMENAGEM
"AMIGOS DESDE GRÂNDOLA" (Pinto Monteiro, PGR)
“A morte de Rodrigues Maximiano representa a perda de um elemento de grande importância para o Ministério Público. Esteve presente em todos os grandes acontecimentos, com intervenções valiosas. Ficámos amigos desde que me substituiu no Tribunal de Grândola como juiz, em 1975”.
"ACTIVO E INQUIETO NO SINDICATO" (António Cluny, Sindicato dos Magistrados)
“Uma das figuras que está na base do Ministério Público moderno e democrático. É a perda de um dos elementos mais activos e inquietos do movimento sindical. O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público quer neste momento homenagear a sua independência face ao poder político”.
"EXPERIÊNCIA E SABER FAZEM FALTA" (Alberto Costa, Ministro da Justiça)
“Na Administração Interna escolhi Rodrigues Maximiano para primeiro inspector-geral da Administração Interna (1996) onde desempenhou um papel notável. Como ministro da Justiça foi por mim nomeado, para o Conselho Superior do Ministério Público, porque a sua experiência e saber fazem falta”.
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