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Correio da Manhã

Portugal
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“Vieira não pôs em causa atividade de assessor” alega o MP no caso E-Toupeira

Procurador quer que todos os arguidos sejam levados a julgamento.
Débora Carvalho 4 de Dezembro de 2018 às 01:30
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Benfica, Paulo Gonçalves, presidente do Benfica
Paulo Gonçalves
Paulo Gonçalves
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Benfica, Paulo Gonçalves, presidente do Benfica
Paulo Gonçalves
Paulo Gonçalves
Luís Filipe Vieira
Luís Filipe Vieira
Benfica, Paulo Gonçalves, presidente do Benfica
Paulo Gonçalves
Paulo Gonçalves
O Ministério Público alega que "Luís Filipe Vieira e os restantes administradores da Benfica SAD nunca puseram em causa a atividade de Paulo Gonçalves" e que a SAD, ao aceitar as informações das ‘toupeiras’, "violou os deveres de vigilância".

O procurador Valter Alves referiu esta segunda-feira, no debate instrutório do caso E-Toupeira, que foi dado conhecimento da oferta de ingressos a Luís Filipe Vieira, como provam os mails que constam nos autos. Diz ainda que o ex-assessor jurídico da SAD era "amigo e braço-direito" do presidente do clube.

Para o MP, o jurista esteve sempre próximo "da liderança e das tomadas de decisão da direção" e as ofertas de merchandising e os convites "não foram entregues por amizade".

"A amizade não pode justificar tudo", frisou. O magistrado pediu à juíza Ana Peres que pronuncie todos os arguidos - Benfica SAD, Paulo Gonçalves e os dois funcionários judiciais - conforme a acusação e os leve a julgamento. Dificilmente nestes casos, a corrupção "é tão vasta e cristalina" como agora, disse.

A defesa da Benfica SAD fala em falta de provas e o advogado Carlos Pinto Abreu diz que Paulo Gonçalves é "vítima de um assassínio cívico".

‘Toupeiras’ do Benfica viviam de alguns "favorzinhos" para terem "um status"
Para o Ministério Público, os funcionários judiciais Júlio Loureiro e José Silva viviam "destes favorzinhos" [convites, lugares de garagem e informações do clube] para terem "um status". O procurador reconhece que mais do que uma vantagem patrimonial, era importante para os oficiais de Justiça gabarem-se do acesso privilegiado ao Estádio da Luz. "Tinham direito a quatro convites por semana e quando não iam aos jogos davam-se ao luxo de oferecer os bilhetes aos amigos", alegou um dos assistentes.

Compara arguido ao ministro Centeno
Paulo Gomes, que defende José Silva, mencionou o caso do ministro Mário Centeno – oferta de bilhetes para a Luz – questionando se o mesmo não se assemelha à situação do seu cliente. Já o advogado de Júlio Loureiro, o funcionário de Guimarães, considera que a acusação é "obscura".

PORMENORES
Decisão no dia 13
A juíza de instrução Ana Peres marcou esta segunda-feira a decisão instrutória para o próximo dia 13, às 14h30, no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.

Mais de quatro horas
O debate instrutório durou mais mais de quatro horas. O procurador do Ministério Público Valter Alves tinha 30 minutos para falar e colocou um cronómetro no computador para controlar o tempo.

Acusada de 30 crimes
A Benfica SAD está acusada da prática de 30 crimes, entre os quais corrupção. Já Paulo Gonçalves responde por 79 crimes. Para o Ministério Público, o alegado corruptor pediu informações de processo judiciais em troca de bilhetes para os jogos, camisolas e outros produtos de merchandising do clube.
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