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Correio da Manhã

Portugal
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Vigilantes quebram pacto de silêncio em julgamento da morte do cidadão ucraniano

Testemunha diz que “Ihor tinha cara inchada”. Inspetor gritava: “Está calado”.
Débora Carvalho 27 de Fevereiro de 2021 às 08:54
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Luís Silva , inspetor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, está a ser julgado por homicídio
Duarte Laja e Bruno Sousa também são arguidos no processo sobre a morte do cidadão ucraniano, no Aeroporto de Lisboa
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Luís Silva , inspetor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, está a ser julgado por homicídio
Duarte Laja e Bruno Sousa também são arguidos no processo sobre a morte do cidadão ucraniano, no Aeroporto de Lisboa
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e foi brutalmente espancado
Luís Silva , inspetor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, está a ser julgado por homicídio
Duarte Laja e Bruno Sousa também são arguidos no processo sobre a morte do cidadão ucraniano, no Aeroporto de Lisboa
Os vigilantes do Aeroporto de Lisboa chamados a teste munhar no julgamento da morte do ucraniano Ihor Homeniuk parecem estar a quebrar um alegado pacto de silêncio. Quando foram interrogados pela Polícia Judiciária, na fase de investigação, disseram que não presenciaram nenhuma agressão. Agora, em tribunal, contam pormenores que implicam os três inspetores do SEF acusados do homicídio de Ihor: Luís Silva, Bruno Sousa e Duarte Laja.

As contradições deixaram esta sexta-feira o juiz Rui Coelho visivelmente irritado. Os seguranças foram ainda confrontados com imagens de videovigilância.

O vigilante Rui Rebelo contou que viu “o inspetor Laja com a bota no peito do Ihor” enquanto gritava “está calado, está quieto”. Quando o viram, os inspetores do SEF “fecharam a porta” da sala onde estavam com Ihor, de 40 anos. Estas declarações não constam nos interrogatórios da PJ. Os advogados de defesa pediram a extração de uma certidão para um processo por falsas declarações contra o segurança. É a terceira testemunha que afirma que viu o inspetor Duarte Laja com o pé em cima do ucraniano.

Na mesma sessão, o vigilante Jorge Pimenta descreveu como encontrou o ucraniano após a intervenção dos arguidos. “O Ihor estava algemado com mãos atrás das costas e os pés com fita adesiva. Tinha a cara avermelhada e inchada. Nos braços tinha uns vergões.” Outros vigilantes já referiram que viram também bastonadas. O julgamento continua quarta-feira.



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