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Correio da Manhã

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Bulgária visa abandono do carvão em 2040 no âmbito de plano de retoma

Bruxelas está a pressionar o país, que é um dos mais dependentes do carvão na União Europeia.
Lusa 14 de Outubro de 2021 às 17:45
Carvão
Carvão FOTO: Direitos Reservados
A Bulgária, dependente de centrais de carvão, fixou 2040 como prazo para abandonar essa indústria poluente, anunciou esta quinta-feira o Governo, na véspera da entrega do seu plano de retoma à União Europeia (UE).

"Elaborámos duas propostas de prazo, 2038 e 2040, com preferência pela mais tardia", declarou à imprensa Stefan Yanev, esperando que os fundos europeus sejam desembolsados o mais rapidamente possível.

A Bulgária é um dos países da UE mais dependentes do carvão, que forneceu 34% da eletricidade nacional em 2020, mas está a ser pressionada por Bruxelas.

A UE exige que pelo menos 37% das despesas de relançamento da economia sejam consagradas à transição ecológica e criou um plano gigantesco, com o montante total de 800 mil milhões de euros (valor atual, 750 mil milhões em 2018), destinado a superar as consequências económicas da pandemia de covid-19.

Todos os Estados-membros, exceto a Holanda e a Bulgária, entregaram o seu projeto nacional para aprovação de Bruxelas.

No caso búlgaro, isso será feito na sexta-feira e, após a aprovação por Bruxelas, o documento final será ainda submetido à apreciação do parlamento nacional.

A Bulgária encontra-se mergulhada numa crise política e numa espiral de eleições desde abril, o que atrasou o processo.

Estado-membro mais pobre da UE, a Bulgária poderá obter 6,6 mil milhões de euros de subvenções diretas e mais 4,1 mil milhões sob a forma de empréstimos a utilizar nos próximos seis anos, segundo os números de quinta-feira comunicados pelo Governo.

Esta semana, várias centenas de mineiros e operários das centrais termoelétricas manifestaram-se no centro de Sófia em defesa da indústria do carvão, uma importante fonte de emissões de dióxido de carbono, mas também o motor económico de muitos países europeus.

A região do complexo de Maritza-East, no sudeste do país, uma das mais afetadas, está particularmente preocupada.

"Queremos trabalhar", clamavam na quarta-feira os manifestantes, apelando para a preservação do seu sector, que emprega quase 30.000 pessoas no país.

"Isto vai ser catastrófico: precisamos de um projeto de transição e reconversão, e não apenas de um plano de encerramento", sustentou o responsável de um sindicato de mineiros, Vladimir Topalov, citado pela agência de notícias francesa AFP.

O Governo propôs a reconversão destas regiões mineiras em parques industriais, mas sem fornecer pormenores.

Além do aspeto ambiental, os Estados-membros tinham de fazer acompanhar o seu plano de uma componente de reformas estruturais exigidas pela UE, uma questão sensível numa Bulgária minada pela corrupção.

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