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Correio da Manhã

Sociedade
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Exposição aos pesticidas lança medo à população de Alqueva

Ambientalistas alertam para impactos na qualidade das águas superficiais e subterrâneas.
João Saramago 14 de Julho de 2019 às 10:45
Plantação de olival intensivo perto da aldeia de Quintos (Beja),
Plantação de olival intensivo perto da aldeia de Quintos (Beja),
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Plantação de olival intensivo perto da aldeia de Quintos (Beja),
Plantação de olival intensivo perto da aldeia de Quintos (Beja),
Apresença crescente de culturas intensivas no Alentejo "alimentadas" pelo regadio da barragem de Alqueva levanta receios junto da população devido ao uso de pesticidas e fertilizantes.

João Paulo Martins, da associação ambientalista ZERO e do movimento de cidadãos Alentejo Vivo, aponta impactos negativos à agricultura intensiva.

"Há pessoas preocupadas" com a exposição a pesticidas usados nas culturas "tão próximas das zonas onde habitam", refere.

"Há sempre o receio de que possam afetar a sua saúde", acrescentou o ambientalista, denunciando que "não se estão a respeitar determinadas regras", quanto ao ambiente e à segurança das populações.

A delegada de Saúde Pública do Alentejo, Filomena Araújo, confirma que chegaram queixas à Administração Regional de Saúde do Alentejo, que foram encaminhadas para as autarquias, as quais - segundo afirmou - "têm um papel importante" porque, com planos diretores municipais, "podem delimitar as áreas" para as instalações das culturas.

Filomena Araújo assegura, contudo, não haver procura de serviços de saúde por questões respiratórias ou alérgicas associadas à exposição a pesticidas. "Acredito que as pessoas se sintam incomodadas com a proximidade", mas "não posso dizer que isso seja associado a riscos para a saúde", porque "não está estudado", afirma.

Por sua vez, João Paulo Martins refere que o "uso de grandes quantidades" de agroquímicos (pesticidas e fertilizantes) "por vezes, de forma desregrada", tem impactos na qualidade das águas superficiais e subterrâneas e na biodiversidade e, em alguns processos de plantação de culturas, como o olival e amendoal, há "destruição" de linhas de água e património arqueológico.

É também apontado o risco do favorecimento da erosão dos solos resultante da agricultura intensiva.

Regados 95 mil hectares
Na área do Alqueva, com 120 mil hectares de regadio instalado, há 95 mil a serem regados.

O regadio permite intensificar as culturas garantindo aos agricultores maiores produções e maiores receitas.

Olival lidera cultivos
O olival lidera as plantações realizadas na área de regadio do Alqueva com 60%.

As árvores de fruto, sobretudo o amendoal, ocupam o segundo posto numa lista que integra milho, forragens, cereais e hortícolas.

"Olival consome menos água e é amigo do ambiente"
O presidente da Associação de Olivicultores do Sul - Olivum, Pedro Lopes, recusa a ideia de que os agricultores plantam onde bem entendem e diz que o olival "é amigo do ambiente": "consome menos água e utiliza muito menos agroqímicos do que outras culturas.

Olival a 15 metros das habitações
Catarina Valério luta contra o olival quase à porta de casa na aldeia de Nossa Senhora das Neves (Beja). Por sua vez, na aldeia de Alfundão, no concelho vizinho de Ferreira do Alentejo, um amendoal é o motivo das "dores de cabeça" dos pais das cerca das 20 crianças que frequentam a escola básica, explica à Lusa uma das mães, Cláudia Figueira.

"Os receios são principalmente para a saúde dos meus dois filhos menores", frisa Catarina Valério, preocupada com a "exposição sistemática" da família "aos produtos químicos que utilizam no olival" situado "a 15 metros" da sua casa. Teme ainda que a água do poço fique contaminada com os agroquímicos.

Já Cláudia Figueira, que tem a filha de sete anos na escola, conta que os pais das crianças "sabem" que são "pulverizados produtos químicos" no amendoal quando as crianças estão no recreio, e sem aviso prévio.

Um grupo de pais apresentou uma exposição sobre a situação junto das direções regionais de Agricultura, Educação e Saúde, bem como da Câmara de Ferreira do Alentejo, mas ainda não obteve respostas.

Cláudia Figueira avança que foi plantado um hectare de medronheiro entre o amendoal e o parque de skate, mas os pais entendem que "não é suficiente" para minimizar o impacto nas crianças, considerando que a atual situação não é benéfica.

Pormenores
Sujeitos a regras

A Associação de Olivicultores do Sul sublinha que a plantação de um olival obriga à obtenção de autorizações de várias entidades. A permissão está também dependente do que define cada Plano Diretor Municipal.

Saúde aponta medidas
A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo referiu, na sequência de uma queixa, que é "necessário e obrigatório estabelecer medidas de intervenção e correção" à instalação do olival, com distâncias mínimas em relação às casas.

Poluição fabril
Ambientalistas apontam impactos negativos resultantes da poluição do ar provocada por fábricas de extração de óleo de bagaço de azeitona, defendendo medidas capazes de minimizar os efeitos na população .

Falta de mão de obra
A falta de mão de obra para trabalhar na agricultura é um dos problemas que os agricultores reconhecem que se coloca à expansão das culturas. A associação Olivum avança estar "bastante atenta ao problema" da exploração de imigrantes.

"Desinformação prejudica bastante os agricultores"
O presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, Rui Garrido, considera que a maior parte dos alertas não têm fundamento e que a "desinformação existente prejudica bastante os agricultores".

Avança que "são usados os agroquímicos menos nocivos" para o ambiente.

Apanha mata aves
A associação ambientalista ZERO alerta para os inconvenientes da prática da apanha mecânica de azeitona durante a noite.

Trabalhos que conduzem à morte de milhares de pássaros, que dormem nas árvores.
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