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"Protejam-se": Proteção Civil alerta para agravamento do estado do tempo

Possibilidade de inundações, formação de lençóis de água e queda de árvores preocupa Autoridade Nacional.
Lusa e Correio da Manhã 18 de Dezembro de 2019 às 13:02
Mau tempo
Mau tempo FOTO: José Coelho/Lusa
O continente português vai ser afetado a partir da tarde desta quarta-feira e até sábado por chuvas e ventos fortes, sendo quinta-feira o "dia mais gravoso", disse fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Em declarações aos jornalistas, e numa mensagem à população, Pedro Nunes, comandante da Proteção Civil pede especial atenção para os alertas emitidos pela 
Autoridade Nacional e IPMA. "Protejam-se", pede o comandante sublinhando que as condições adversas que se farão sentir poderão potenciar cenários de inundações, formação de lençóis de água, probabilidade "muito grande de quedas de árvores", problemas na orla marítima devido à forte agitação e deslizamento de terras. 

Segundo as previsões, é expectável acontecer três tipos de inundações: "inundação em meio urbano por acumulação de água pluvial; inundações por transbordo de água e inundações em estruturas subterrâneas nomeadamente em garagens ou parques subterrâneos", sublinha o comandante. Nas próximas 48 horas é ainda previsto que o estado do tempo agrave com chuva muito forte e persistente, vento e agitação marítima.

Pedro Nunes dá ainda indicações das zonas de maior preocupação relativamente a inundações junto às bacias hidrográficas. Destaca a bacia hidrográficas de Lima, com Ponte de Barca e Ponte de Lima no centro da preocupação; Cávado, especificamente Esposende, Braga, Amares e Terras de Bouro; Douro, na Régua e Foz, quer em Gaia e Porto; Vouga, na zona de Águeda; e Mondego, em especial na cidade de Coimbra. 

"Especial apontamento para o Rio Lis, Rio Nabão e áreas metropolitanas de Lisboa e Porto", ressalva ainda Pedro Nunes. 

Para já ainda não há previsão de melhoria do tempo. 

Chuva e vento fortes até sábado em Portugal continental

"A depressão Elsa [que está a atingir os Açores esta semana] está muito a norte do território do continente. O que vai afetar mais diretamente o estado do tempo é a passagem de umas ondulações frontais associadas a uma depressão complexa da qual faz parte a Elsa", começou por explicar o meteorologista Ricardo Tavares, do IPMA.

Em declarações à Lusa, Ricardo Tavares adiantou que o vento será "moderado a forte e muito forte nas terras altas, com ventos de 95 a 100 quilómetros/hora".

"O dia mais gravoso em termos de vento e precipitação será o de quinta-feira", explicou o meteorologista, adiantando que a situação irá manter-se nos próximos três a quatro dias, com "vento muito intenso, precipitação forte e persistente".

"Prevê-se ainda agitação [marítima] forte também na costa ocidental e amanhã também a costa sul do Algarve será afetada com ondas de sudoeste de quatro a cinco metros", acrescentou.

De acordo com Ricardo Tavares, foram emitidos avisos amarelos (o terceiro mais grave) para todo o território do continente, tendo em conta a precipitação e a agitação marítima esperadas

Para as regiões Norte e Centro estão emitidos avisos laranja (o segundo mais grave), que serão atualizados consoante o estado do tempo o exija.

"A partir de sábado prevê-se já uma pequena melhoria, não se prevendo a permanência de ventos e precipitação tão forte", frisou.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil emitiu hoje um aviso à população por causa do agravamento das condições meteorológicas, com precipitação forte e persistente, vento forte nas terras altas e agitação marítima forte em toda a costa.

No aviso à população, a Proteção Civil alerta para a possibilidade de "inundações rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem", e "inundações por transbordo das linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis".

Avisa ainda que, tendo em conta as previsões do IPMA, há a possibilidade de inundações de "estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem" e de formação de lençóis de água na estrada, além da queda de ramos de árvores, danos em estruturas montadas ou suspensas.

O agravamento das condições meteorológicas pode ainda levar a "possíveis acidentes na orla costeira" e a "fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência".

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