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Correio da Manhã

Sociedade
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"A Ordem dos Médicos não tem comunicado diretamente com a ministra da Saúde", revela Bastonário

Os profissionais de saúde "deviam ser mais respeitados", apontou Miguel Guimarães.
Lusa 2 de Março de 2021 às 17:05
Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos
Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos FOTO: Estela Silva
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) afirmou esta terça-feira em Faro que a comunicação entre a OM e a ministra da Saúde não tem sido a melhor, havendo contactos com o secretário de Estado Adjunto e da saúde.

"A Ordem dos Médicos não tem comunicado diretamente com a senhora ministra da Saúde. A senhora ministra da Saúde nunca se reuniu com a Ordem dos Médicos desde que é ministra neste seu mandato", revelou Miguel Guimarães.

O dirigente afirmou aos jornalistas que é algo que não lhe parece "bem", afirmando que nesta altura de pandemia poderia ser "uma oportunidade única" para a ministra se "reunir e reunir as ordens" uma vez que estas "podem ajudar bastante".

À margem de uma visita a uma ação de vacinação no Hospital de Faro aos médicos que exercem fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS) o bastonário revelou, no entanto, haver "um ponto focal" no ministério com quem a OM comunica "frequentemente", o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales e que a OM tem tido "reuniões regulares" com o senhor coordenador do plano de vacinação.

Miguel Guimarães realçou que a OM "podia ajudar mais noutras circunstâncias", como está a fazer agora com a vacinação dos médicos que exercem apenas no setor privado.

Como exemplo, o bastonário apontou as recomendações emanadas pelo "gabinete de crise" da OM que funciona em Portugal "desde o início de janeiro" do ano passado, "quase um mês e meio antes" de terem sido detetados os primeiros doentes com covid-19 no país, realçou.

Os profissionais de saúde "deviam ser mais respeitados", apontou, realçando que "não têm visto as suas carreiras valorizadas e reconhecidos", algo que seria "importante que mudasse".

O responsável chamou a atenção para o facto de não terem sido apenas os médicos de medicina intensiva a "salvam os doentes" e que a "imensa maioria" foi tratada por "médicos de medicina interna" e por um conjunto alargado de outros clínicos que evitaram que esses doentes fossem para os cuidados intensivos.

"Todos estes médicos e enfermeiros deram uma ajuda importante para que país desse a resposta que os portugueses estavam à espera e por isso deveriam ser mais respeitados e valorizados no trabalho que têm", concluiu Miguel Guimarães.

Portugal registou hoje 38 mortes relacionadas com a covid-19 e 691 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim da DGS revela também que estão internados 1.997 doentes (menos 170 do que na segunda-feira), o valor mais baixo desde 30 de outubro, dia em que estavam hospitalizadas 1.972 pessoas.

Nos cuidados intensivos Portugal tem hoje 446 doentes, menos 23 em relação a segunda-feira.

Os dados indicam ainda que 3.230 pessoas foram dadas como recuperadas, fazendo subir para 723.465 o número total de recuperados desde o início da pandemia em Portugal, em março de 2020.

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