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Correio da Manhã

Sociedade
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Advogado de Sócrates não resiste a cancro

João Araújo morreu aos 70 anos. O estado de saúde agravou-se nos últimos meses.
Débora Carvalho 9 de Julho de 2020 às 07:44
João Araújo foi o primeiro advogado contratado por Sócrates quando este foi detido em novembro de 2014
João Araújo foi o primeiro advogado contratado por Sócrates quando este foi detido em novembro de 2014 FOTO: Mário Cruz/Lusa
Ilustre desconhecido até 21 de novembro de 2014, dia em que José Sócrates foi preso, no âmbito da Operação Marquês. João Araújo representou o antigo primeiro-ministro durante cinco anos. Ficou conhecido pela forma polémica como muitas vezes falava com os jornalistas. Tinha 70 anos e morreu esta terça-feira em casa, Lisboa. Há muito que o advogado lutava contra um cancro, doença que assumiu publicamente.

O estado de saúde agravou-se nos últimos meses. Em tom de brincadeira chegou a dizer que “não morro sem libertar o meu cliente [Sócrates]”. Era um dos mais críticos em relação ao Ministério Público. Na semana passada, João Araújo já não esteve presente no debate instrutório da Operação Marquês. Formava com Pedro Delille a equipa de defensores do antigo governante.

José Sócrates lamentou a morte de um amigo. “Foi nos últimos anos um amigo e um companheiro leal que não esquecerei. Ele era um advogado corajoso e com uma profunda dedicação ao Estado de Direito Democrático”, declarou Sócrates.

O velório realizou-se esta quarta-feira à tarde na Basílica da Estrela, em Lisboa. Esta quinta-feira haverá uma missa e a cremação do corpo, no cemitério do Alto de São João, Lisboa.

pormenores
Colega elogia
Pedro Delille, quando fez as suas alegações no debate instrutório do processo, evocou o seu colega, destacando o seu árduo trabalho, desde a primeira hora.

Condenado por difamar
O advogado chegou a ser condenado em tribunal ao pagamento de 12 600 euros por difamar e injuriar uma jornalista.

perfil
João Araújo nasceu em Angola, filho de um juiz goês, e do pai herdou a paixão pela Justiça. Licenciou-se na Universidade de Direito de Lisboa e estava inscrito na Ordem dos Advogados desde 1977. Após o 25 de Abril, interrompeu a atividade de advogado para trabalhar durante pouco mais de uma década na Caixa Central de Crédito Agrícola, onde elaborou o primeiro regime de crédito agrícola. Era-lhe conhecida a veia esquerdista e esteve associado aos primeiros passos do PCTP - MRPP. Era, também, um sportinguista ferrenho e um ‘bom garfo’, apesar de ser alérgico a marisco. João Araújo – que chegou a defender dois arguidos acusados de alegados crimes de sangue no polémico caso das FP-25 – deixa cinco filhos e a viúva, Alda Telles, especialista em assessoria de comunicação.
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