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Correio da Manhã

Sociedade
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Alterações genéticas influenciam o cancro colorretal

Cancro traduz-se no aparecimento de pólipos no intestino grosso ou no reto.
Carlota Rodrigues e Cláudia Machado 14 de Abril de 2018 às 09:41
Operação
Daniela Macedo
José Sampaio
Operação
Daniela Macedo
José Sampaio
Operação
Daniela Macedo
José Sampaio
O cancro colorretal é uma doença que se caracteriza pelo aparecimento de lesões no intestino grosso ou no cólon, os chamados pólipos. Estes podem aumentar de tamanho e tornar-se malignos.

"O cancro do intestino começa por ser uma alteração das células que origina o desenvolvimento de lesões [pólipos]. Posteriormente, acabam por acontecer vários eventos genéticos, que fazem com que haja a ativação de células malignas, originando o cancro", explica Daniela Macedo, assistente hospitalar de Oncologia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Os fatores de risco são a idade, a origem de pólipos, histórico familiar de cancro colorretal e alterações genéticas. "Se o doente já tiver casos da doença, pode ser instituída precocemente essa vigilância. Senão, a partir dos 50 anos, é alertado para a realização de exames, se tiver diversos sintomas, como sangramento nas fezes", explica a médica.

Sobre as probabilidades de cura, estas "estão relacionadas com a fase em que a doença é diagnosticada", refere Daniela Macedo, acrescentando: "O ideal é sensibilizar a população para um estilo de vida saudável e alertar para o rastreio".

Apesar de destacar a importância do rastreio, a especialista esclarece que este pode não ser tão necessário "a partir dos 90 anos", por exemplo, pois a "probabilidade de cancro é menor devido ao envelhecimento das células". O desconforto abdominal, a perda de peso, as náuseas e a sensação de fraqueza são os principais sintomas deste tipo de cancro.

Discurso Direto
Daniela Macedo, assistente hospitalar de oncologia
Quantos novos casos de cancro colorretal são detetados em Portugal por ano?
Daniela Macedo - É uma doença bastante prevalente na população. Os últimos dados publicados revelam que surgem oito mil novos casos por ano em Portugal.

A mortalidade é elevada?
Daniela Macedo -  É a terceira causa de morte em todo o Mundo. Temos cerca de 80 mil doentes com a doença ativa, em estado avançado, quer no sexo masculino como no feminino.

A colonoscopia é o exame de eleição para o diagnóstico deste tipo de cancro?
Daniela Macedo - Sim, sem dúvida. Não é o exame mais querido pela população portuguesa, mas tem várias funções, como rastrear e eliminar pequenas lesões do cancro.

PORMENORES
Segunda opinião médica
É recomendável que o doente procure uma segunda opinião médica, caso tenha dúvidas em relação aos tratamentos.

Exame de eleição
Na colonoscopia é introduzido um tubo com uma câmara pelo ânus até ao intestino grosso, para a deteção de lesões. Pode ser feito sob anestesia geral.

Repetição de rastreios
"Não há necessidade do doente repetir todos os anos os exames, poderá repetir só ao fim de 5 ou 10 anos, se os valores do primeiro estiverem normais", diz a médica Daniela Macedo.

Saco no abdómen para receber as fezes
A colostomia é uma técnica cirúrgica que consiste na derivação das fezes do cólon (intestino grosso)  para o exterior através de uma abertura artificial realizada na parede abdominal. Esta situação não altera a função digestiva .

Tabaco e álcool são fatores de risco
Especialistas  defendem  que o consumo  em  excesso de álcool, o tabagismo e o sedentarismo são fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver  cancro colorretal. É recomendado que sejam reduzidos ou eliminados. 

Quimioterapia usada na luta contra tumor
A quimioterapia é um tratamento no qual são usados medicamentos que 'destroem' as células cancerígenas. Pode passar pelo tratamento por via oral, com comprimidos, ou por via intravenosa, em que o remédio é injetado na veia dos doentes.

O meu caso
"Procuro estar otimista"
Em 2000, José Sampaio, natural de Monchique, detetou sangramento nas fezes e decidiu ir ao médico. Na altura, fez vários exames, entre eles a colonoscopia. Um ano depois, foi operado, com 51 anos, a um tumor no intestino, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

"Passei por complicações depois da cirurgia e saí do hospital com uma colostomia [é colocado um saco no exterior do abdómen para receber as fezes] e uma fístula drenante", relata. Esta situação "causou 80% de invalidez" ao professor, que já está reformado.

"Passei a fazer mais caminhadas e comecei a comer mais fruta e legumes", explica. "Hoje em dia procuro estar otimista, apesar de ser complicado", desabafa José Sampaio.

Saiba mais sobre esta doença no guia prático Médico em Casa, todos os dias nas bancas com o Correio da Manhã.

Sintomas
  • Sangue nas fezes (fezes negras ou vermelhas)
  • Alterações nos hábitos intestinais: diarreia ou obstipação (ou alternância entre elas), mudança na consistência das fezes, incluindo fezes mais finas
  • Desconforto abdominal
  • Anemia
  • Perda de peso
  • Fadiga

Prevenção
  • Estar atento aos hábitos intestinais, especialmente em pessoas com mais de 50 anos
  • Retirar os pólipos que forem encontrados em colonoscopias (os pólipos são precursores da grande maioria do cancro colorretal).
  • Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool.
  • Fazer uma dieta rica em fruta e vegetais.
  • Praticar exercício físico regular.
  • Controlar a diabetes.

Como se trata
Uma equipa multidisciplinar terá em conta o estadiamento da doença, o prognóstico e qualidade de vida do doente e encarregar-se-á de optar entre os tratamentos disponíveis. Estes podem passar pela cirurgia laparoscópica (menos traumática), robótica ou aberta e quimioterapia sistémica. O recurso a radioterapia não é tão comum, embora deva ser avaliado o caso individualmente. 
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