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Correio da Manhã

Sociedade
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Astronauta tratado a uma trombose a partir da Terra

Norte-americano teve uma trombose venosa profunda quando estava em órbita e recebeu medicação.
Ana Maria Ribeiro 5 de Janeiro de 2020 às 10:38
Tratamento foi feito a bordo da Estação Espacial Internacional
Tratamento foi feito a bordo da Estação Espacial Internacional FOTO: Reuters
Um astronauta norte-americano foi tratado, com sucesso, a uma trombose venosa profunda enquanto estava em órbita. O homem, cuja identidade não foi revelada para proteger a sua privacidade, estava há dois meses na Estação Espacial Internacional (EEI), quando se detetou, por acaso, uma formação de coágulos sanguíneos na veia jugular (na zona do pescoço).

O problema foi descoberto quando o astronauta estava a usar ultrassons numa experiência sobre a redistribuição dos fluidos corporais em ambiente de microgravidade. Quando os médicos detetaram o coágulo, enviaram-lhe um anticoagulante, que teve de seguir por uma nave de transporte de carga, já que não havia quantidade suficiente desse medicamento na estação espacial.

Esta foi a primeira vez que foi detetada uma trombose profunda venosa num astronauta em órbita, mas esta história teve um final feliz: o tratamento durou três meses, período durante o qual o doente realizou ecografias regulares ao pescoço, sob a orientação de uma equipa de radiologia que estava na Terra. Ao fim da missão de seis meses, o astronauta regressou a casa são e salvo, apesar de ter suspendido o tratamento durante quatro dias - devido à grande exigência física da viagem. No entanto, não voltou a precisar de qualquer medicação para o seu problema.

O caso foi entretanto descrito na revista ‘New England Journal of Medicine’, e está a provocar alguma discussão junto da comunidade médica. Neste momento há mais perguntas do que respostas, mas se se provar que o risco de trombose venosa profunda no espaço é elevado, será preciso abrir uma nova linha de investigações.

PORMENORES
Dificuldades de adaptação
A maior parte dos problemas que ocorre no espaço (mais de 40%) prende-se com a síndrome de desadaptação. A ausência de gravidade provoca náuseas em muitos astronautas.

Problemas nervosos
Na lista dos problemas de saúde mais comuns no espaço (tal como foram registados no programa do Space Shuttle), o sistema nervoso é o segundo mais afetado (17% das ocorrências).

Salmonella mais agressiva
Numa experiência conduzida em 2006, descobriu-se que a bactéria salmonella, que provoca envenenamento alimentar, é mais agressiva quando cultivada no espaço.

Semelhanças na Terra
Os cientistas descobriram que as equipas que trabalham em circunstâncias extremas - na Antártida ou em submarinos - podem desenvolver as mesmas doenças que os astronautas.
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