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Correio da Manhã

Sociedade
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Atraso nas vacinas Covid ameaça verão e coloca imunidade de grupo em risco

AstraZeneca vai entregar menos 2 milhões de doses, atrasando a imunidade de grupo e originando um verão com restrições.
Francisca Genésio 25 de Fevereiro de 2021 às 01:30
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Atraso nas vacinas Covid ameaça verão e coloca imunidade de grupo em risco
Os atrasos na entrega de vacinas contra a Covid-19 , por parte das farmacêuticas, colocam em causa o verão, já que a imunidade de grupo não deverá ser atingida (70% da população imunizada). Sem uma grande parte da população protegida, é expectável que o País mantenha algumas restrições nas férias grandes, ou seja, durante a época balnear, a exemplo do que aconteceu o ano passado (ver caixa ao lado).

Depois de ter anunciado, segunda-feira, que a imunidade de grupo seria atingida em meados de agosto, ontem, Gouveia e Melo, coordenador do plano de vacinação, recuou. “O facto de a AstraZeneca diminuir para metade as entregas [a nível europeu] implica que, no segundo trimestre, em vez de chegarem a Portugal 10 milhões de vacinas, chegarão 8 milhões. Isto tem implicação no prazo para atingir a meta dos 70%. Esse prazo seria no verão, mas se houver mais cortes será para lá do fim do verão. A meta está totalmente dependente das vacinas que vão chegar”, explicou na Comissão de Saúde.

O objetivo é vacinar 100 mil pessoas, por dia, a partir de abril. Para isso, a ‘task force’ conta com a ajuda das autarquias e das Administrações de Saúde. Mas se os atrasos persistirem a estratégia será alterada. “Devemos estar abertos a fazer um novo plano”, sublinha o responsável. Para já, a solução é alargar o período entre as duas tomas da vacina (é de 21 dias, mas pode chegar aos 40), abrindo a possibilidade de “vacinar mais pessoas frágeis”. Segundo Gouveia e Melo, esta hipótese permite a imunização de 200 mil pessoas antecipadamente. A par desta mudança, os estudantes envolvidos no combate à pandemia vão ser priorizados. “Quem é obrigado a combater tem de ter instrumentos de combate”, afirmou o responsável.

Assim que chegar stock suficiente para a vacinação em massa, Gouveia e Melo admite a contratação de mais profissionais de saúde, desde logo mais enfermeiros, “para fazer processos de vacinação rápida nos novos centros”.

Distância nas praias deverá manter-se
Os critérios para aliviar restrições foram debatidos na segunda-feira, no Infarmed, e os especialistas ouvidos foram claros: ainda que o número de novos casos, óbitos e internamentos seja baixo, as restrições terão de se manter, por mínimas que sejam, até que exista imunidade de grupo, devido à existência de variantes, como a do Reino Unido, de rápida transmissibilidade.

Com a proteção da população a ser adiada para o final do verão, isto significa que a estação terá provavelmente medidas semelhantes às do ano passado: o uso de máscara obrigatório, distância de 1,5 metros entre toalhas e 3 metros entre chapéus nas praias; semáforos para quantificar a ocupação do areal; estabelecimentos como restaurantes, cafés e pastelarias com lotação de 50% e horário reduzido; serviços públicos com marcação; e lotação dos transportes públicos a dois terços, entre outras.
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