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Correio da Manhã

Sociedade
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Autarca de Esposende vai eternizar "cidadão de eleição" Paulo Gonçalves

Piloto português morreu no domingo após uma queda na sétima etapa da 42.ª edição do Rali Dakar 2020.
Lusa 13 de Janeiro de 2020 às 22:24
Morreu o piloto Paulo Gonçalves no Dakar 2020
Morreu o piloto Paulo Gonçalves no Dakar 2020 FOTO: Direitos Reservados
O piloto Paulo Gonçalves, falecido no domingo após uma queda no Rali Dakar, irá ser "eternizado" pela Câmara Municipal de Esposende, onde nasceu e residiu, afirmou esta segunda-feira à agência Lusa o presidente Benjamim Pereira.

"Levava com muito orgulho o símbolo da terra. Se soubermos bem o quanto valem os espaços na camisola de um desportista da categoria do Paulo, percebemos bem o que estava a fazer. Pode ser uma rua, uma avenida, um pavilhão ou uma estátua. Não queria particularizar agora, mas garanto que o nome dele será eternizado", referiu o autarca.

Antes de decidir "com alguma frieza" as homenagens futuras a "um homem super humilde, nada vedeta e totalmente dado à comunidade", as prioridades de Benjamim Pereira passam por "proteger a família, manter a comunidade serena e tratar das questões logísticas" necessárias à transladação dos restos mortais.

"A autópsia seria feita na Arábia Saudita, mas também poderia ser cá. Há muitas dúvidas e o processo pode demorar três a sete dias, de acordo com o conhecimento que tenho da embaixada. Esperemos que seja o mais rápido possível", frisou.

A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, já entraram em contacto com Benjamim Pereira, de modo a disponibilizar "toda a ajuda necessária" aos familiares de Paulo Gonçalves, oriundo de Gemeses, freguesia de Esposende, com cerca de 1.000 habitantes.

"Estão frágeis e querem viver estes momentos com o recato possível. Sabemos que o tempo ajuda a amenizar, mas a forma inesperada como isto aconteceu deixa as pessoas por terra, porque houve projetos de vida que se desmoronaram de repente", partilhou.

Ainda a digerir "uma total surpresa", o edil irá decretar um dia de luto municipal, a coincidir com a realização do funeral, em data a definir pela autarquia, família e igreja, após existirem as "condições ideais" para acolher "muita gente" e preparar uma despedida "digna".

"Não negava um autógrafo, muito menos que as pessoas se aproximassem da sua mota para verem e experimentarem. Era um ídolo para a juventude, uma pessoa muito especial para o município e uma figura mundial. Perdemos um cidadão de eleição", lamentou.

Destacando o altruísmo de Paulo Gonçalves no Dakar2016, quando parou para auxiliar o austríaco Matthias Walkner, numa atitude reconhecida pela organização da prova, mas que podia ter custado a liderança da classificação das motos, Benjamim Pereira espera que o "exemplo" do piloto em termos desportivos e sociais "sirva de inspiração para muitos".

"Naquele momento foi fantástico e ganhou muito mais do que o Dakar. O Paulo era um rapaz de origens humildes, mas conseguiu chegar ao topo na carreira que escolheu, mostrando aos jovens que podem sonhar com um mundo melhor", apontou.

O piloto português morreu no domingo após uma queda ao quilómetro 276 da sétima de 12 etapas da 42.ª edição do Rali Dakar de todo-o-terreno, na Arábia Saudita, tendo o alerta sido comunicado às 10h08 horas locais, menos três em Lisboa.

De imediato foi enviado um helicóptero que chegou junto do piloto às 10h16, tendo encontrado Paulo Gonçalves inconsciente e em paragem cardiorrespiratória, antes de seguir para o hospital, onde foi declarada a sua morte.

"Depois de várias tentativas de reanimação no local, o piloto foi helitransportado para o hospital de Layla, onde foi confirmada a morte", referiu a organização do Dakar, prova na qual foi segundo em 2015 e participava pela 13.ª vez, ocupando a 46.ª posição das motas.

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