Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
4

Bactérias invadem barragens do Sado

Reservas em baixo prejudicam qualidade da água.
João Saramago 20 de Janeiro de 2020 às 08:28
Castelo de Bode está com 93%
Castelo de Bode está com 93% FOTO: Ricardo Ponte
Bactérias responsáveis por causar doenças no Homem foram detetadas em quatro barragens do rio Sado: Odivelas (Ferreira do Alentejo), Roxo (Aljustrel), Alvito (Cuba) e Monte da Rocha (Ourique). "A presença destas bactérias permite inferir sobre potenciais riscos para a saúde e recomendar uma monitorização periódica como forma de os minimizar", revela um artigo cientifico, publicado pelo Instituto Nacional Doutor Ricardo Jorge.

A qualidade da água tem um risco acrescido de piorar perante menor disponibilidade nas barragens. A Agência Portuguesa do Ambiente indica que as barragens do Sado apresentam os valores mais baixos de armazenamento do País, a 33,8% da capacidade. A chuva dos últimos 30 dias foi insuficiente para colocar as barragens do Alentejo, Algarve e Oeste numa situação confortável.

No trabalho de caracterização da população bacteriana das barragens do Sado, os investigadores isolaram Aeromonas Sobria na barragem do Roxo, micro-organismo que faz parte da flora intestinal dos peixes e que é responsável por infeções gastrointestinais no Homem.

A presença de bactérias do género Pseudomonas e Enterobacter foi detetada no Roxo e Alvito - espécies destes géneros são responsáveis por infeções. Por sua vez, na barragem do Monte da Rocha foram identificados microrganismos tipicamente associados a distúrbios gastrointestinais. Na barragem de Odivelas, a presença de micro-organismos desaconselhava o contacto com a água. O estudo agora divulgado foi realizado em julho de 2016, mês em que o volume armazenado foi de 61% (Alvito), 35% (Odivelas), 26% (Roxo) e 23% (Monte da Rocha).

A recolha ocorreu no verão, mas as reservas são idênticas às atuais: Alvito tem 65%, Odivelas está a 32%, Roxo a 17% e Monte da Rocha a 10%.

Níveis de água em queda face a dezembro
Os dados disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) referentes à primeira quinzena deste mês indicam uma quebra da disponibilidade hídrica na maior parte dos rios, devido a ter chovido menos em janeiro por comparação com dezembro.

Segundo o mais recente balanço da APA, os rios que apresentam um crescimento das reservas de água são, curiosamente, os que têm valores mais baixos de armazenamento. No Algarve houve uma subida no Arade, de 53,7% para 55,6%. Nas ribeiras do Barlavento de 33,1% para 33,3%, e no Sado de 32,3% para 32,8%. Castelo de Bode, que fornece Lisboa, está com 93%. Crestuma, que abastece Porto, tem 95%.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)