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Correio da Manhã

Sociedade
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Barragens no Tâmega impedem acesso a lítio

Jazida em Covas do Barroso, Boticas, com minério muito procurado vai ser inundada.
Bernardo Esteves 12 de Junho de 2017 às 09:01
A barragem é da responsabilidade da espanhola Iberdrola
Projeto da construção no Alto Tâmega
A barragem é da responsabilidade da espanhola Iberdrola
Projeto da construção no Alto Tâmega
A barragem é da responsabilidade da espanhola Iberdrola
Projeto da construção no Alto Tâmega
A construção pela empresa espanhola Iberdrola de um complexo de barragens no rio Tâmega vai colocar em risco o acesso a uma jazida de lítio, minério muito procurado atualmente porque serve para produzir baterias de telemóvel, computadores e carros elétricos.

A existência deste filão em Covas do Barroso, no concelho de Boticas, há muito que é conhecida e tem vindo a ser estudada. A inundação que vai ocorrer em toda aquela área, devido à construção das barragens, vai impedir que se possa continuar a estudar a jazida e perceber qual o seu real valor económico.

Uma reclamação foi já apresentada junto da Agência Portuguesa do Ambiente por Alexandre Lima, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, segundo noticia o 'Público'.

Na queixa apresentada, o docente afirma que a inundação daquela área vai "contribuir para o empobrecimento destes filões e pôr em causa a sua viabilidade económica", podendo "pôr ainda em causa a utilização das águas para consumo humano".

O Correio da Manhã contactou a Agência Portuguesa do Ambiente, mas não obteve qualquer reação até ao fecho desta edição.

Lei não protege recursos minerais 
A lei portuguesa não estabelece um regime de proteção para qualquer tipo de minério, pelo que será difícil que a jazida de lítio leve à suspensão da construção das barragens. A proteção prevista pela legislação para animais ou espécies vegetais não se aplica ao caso dos minérios.

Quercus defende mais estudos do filão mas desaconselha corrida aos minérios
A associação ambientalista Quercus é "favorável a que se aprofundem estudos relativamente a este depósito de lítio, uma vez que a área já vai ser dizimada do ponto vista ambiental".

O vice-presidente Nuno Sequeira avisa contudo que, "apesar de todas as potencialidades do lítio, o Governo não deve entrar no desvario da corrida aos minérios, como fez o anterior Governo". "A experiência mostra que a exploração mineira deixa passivos ambientais e económicos que são pagos pelos contribuintes", disse.

SAIBA MAIS
1800
O lítio foi descoberto em 1817 pelo químico sueco Johan August Arfwedson, que conseguiu demonstrar que este elemento químico estava presente nos minerais de espodumena e lepidolite, os mesmos que existem em Covas do Barroso.

Usos diversos
O lítio começou por ser utilizado em larga escala na produção de graxas para motores de avião. Durante a corrida nuclear da Guerra Fria serviu como combustível de sólidos de fusão e hoje é mais usado em baterias.

Complexo pronto em 2023
O complexo do Tâmega prevê a construção de três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) com um custo total de 1500 milhões de euros e que devem ficar prontas em 2023.
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