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Correio da Manhã

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Barreiras arquitetónicas condicionam mobilidade dos idosos no espaço urbano

Pavimento e falta de elementos de apoio condicionam a mobilidade dos idosos, segundo estudo de cientistas das Universidades de Coimbra e Porto.
Lusa 10 de Dezembro de 2019 às 17:51
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Várias barreiras arquitetónicas, entre eles o pavimento e a falta de elementos de apoio, condicionam a mobilidade dos idosos no espaço urbano, revela um estudo de cientistas das Universidades de Coimbra e Porto, apresentado esta terça-feira.

Segundo a docente universitária Anabela Ribeiro, coordenadora do projeto MOBI-AGE, os pavimentos "antigos e irregulares" das zonas históricas dos centros urbanos e a inexistência de corrimãos em certos locais são dos fatores que mais limitam a mobilidade dos residentes e turistas seniores.

O projeto, que termina em março de 2020, pretende classificar as barreiras ao nível de acessos pedonais e transportes públicos para os mais idosos que, na sua maioria, se deslocam a pé ou de transportes públicos.

"Nós sentimos que as cidades não estão adaptadas a necessidades não só de agora, mas de um futuro muito próximo, que é de uma população idosa que tem mais dificuldade de se deslocar e que tem vindo a aumentar de forma exponencial em Portugal e nos outros países", salientou a investigadora, na apresentação do estudo em Coimbra.

Segundo Anabela Ribeiro, o princípio dos investigadores internacionais que têm estudado esta temática "é que, adaptando as cidades para estas pessoas, está-se a tornar as cidades ótimas para quaisquer pessoas".

O estudo incidiu na Alta de Coimbra e na Baixa do Porto, que estão classificadas como Património Mundial da UNESCO, e incluiu entrevistas a 20 idosos ali residentes e turistas seniores provenientes de vários países em cada uma das cidades.

"A população idosa é, de uma forma geral, mais ativa do que aquilo que pensamos. Como têm mais tempo, andam muito a pé e de transportes públicos", sublinhou Anabela Ribeiro, docente do departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra.

Os mais idosos, acrescenta a investigadora, "querem movimentar-se e ir às compras sozinhos, ter autonomia e enfrentam muitas dificuldades no andar a pé na rua, com barreiras arquitetónicas de vários tipos, desde o pavimento até à inexistência de elementos de apoio, quando sobem uma rua inclinada".

"Já para nós é difícil, mas sem corrimão e com pedras soltas torna-se mais complexo", salientou Anabela Ribeiro, acrescentando que "o espaço pedonal e os transportes são os elementos do espaço público que não oferecem as condições que eles necessitam".

Com a identificação dos fatores de mobilidade, a equipa de projeto conseguiu "criar um indicador de qualidade para cada trecho do espaço público, que é composto por vários fatores, e isso permite à Câmara Municipal identificar os pedaços de rua que estão com mais ou menos qualidade e em função das obras e dos melhoramentos que vão fazendo podem de forma automática alterar um mapa que está sempre disponível para quem visita a cidade", frisou.

No caso do centro histórico de Coimbra, Anabela Ribeira considera "muito conveniente" a existência do miniautocarro híbrido "Pantufinhas", que faz a ligação entre a baixa e a alta, por "ser muito utilizado", sobretudo nas viagens de subida.

O arquiteto Fernandes Brandão Alves, da equipa de investigação na cidade do Porto, salientou algumas diferenças "significativas" entre os resultados obtidos no estudo daquela cidade e de Coimbra.

"A cidade do Porto, apesar de apresentar vários declives, alguns acentuados, tem uma qualidade geral de pavimentos mais adequados ao caminhar das pessoas idosas", referiu.

Por outro lado, pela análise dos inquéritos, "o parecer dos turistas em relação à qualidade da cidade no centro histórico e dos residentes é diferente".

"Os nosso residentes queixavam-se sobretudo da falta de segurança nas ruas e do estado dos pavimentos, enquanto os turistas, essencialmente, queixavam-se do problema dos pavimentos em ruas com declive e sobre a segurança diziam que a cidade era muito segura", disse Fernando Brandão Alves.

Com base nas conclusões dos dois estudos de caso realizados, a equipa do projeto irá desenvolver uma plataforma de informação interativa, destinada a câmaras municipais e a utilizadores finais do espaço urbano.

O projeto MOBI-AGE tem o apoio dos municípios de Coimbra e do Porto, bem como do Ateneu de Coimbra, do Centro Paroquial da Sé Velha e do Centro Nossa Senhora da Vitória.

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