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Correio da Manhã

Sociedade
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Bial lança fármaco para reduzir sintomas da doença de Parkinson

Medicamento também retarda a progressão da doença.
5 de Julho de 2016 às 15:50
A Bial faturou, em 2015, cerca de 215 milhões de euros
A Bial faturou, em 2015, cerca de 215 milhões de euros FOTO: CMTV
Um medicamento desenvolvido pela farmacêutica portuguesa Bial para reduzir durante duas horas o estado de rigidez e incapacidade nos doentes com Parkinson bem como a retardar a progressão da doença, foi aprovado pela Comissão Europeia e apresentado esta terça-feira no Porto.

Este é o segundo medicamento totalmente desenvolvido pela Bial e o primeiro apresentado após o ensaio clínico ocorrido em França que ficou associado à morte de um dos voluntários e a danos neurológicos em outros quatro, a 17 de janeiro.

O Ongentys é um medicamento de toma única diária, que deve ser combinado com outros fármacos ou terapias, e que permite aos doentes uma qualidade de vida adicional durante duas horas do dia, indicou o presidente da empresa, António Portela, durante a apresentação.

"A doença de Parkinson é neurodegenerativa, crónica, progressiva e irreversível e caracteriza-se por uma progressão lenta, não existindo cura nem forma de a travar eficazmente, somente algumas terapêuticas para retardar o progresso", como é o caso do Ongentys.

De acordo com António Portela, estima-se que existam 1,2 milhões de doentes com Parkinson na Europa, sendo que 22 mil registam-se em Portugal, valores avançados pela Associação Europeia da Doença de Parkinson (EPDA).

Normalmente, a doença manifesta-se entre os 55 e os 60 anos, sendo a prevalência de um em cada 100 indivíduos para essa faixa etária.

O Ongentys foi desenvolvido ao longo de 11 anos, tendo este sido testado em mais de 900 doentes, em 30 países, ao longo de dois ensaios de farmacologia humana, explicou o presidente.

Depois do verão, o medicamento vai começar a ser produzido em Portugal e comercializado na Alemanha (maior mercado europeu, onde existem cerca de 260 mil portadores da doença) e no Reino Unido.

O desenvolvimento deste medicamento, cujo investimento rondou os 300 milhões de euros, vem "reforçar o compromisso com a saúde, com as pessoas e com a inovação terapêutica", acrescentou António Portela.

A Bial faturou, em 2015, cerca de 215 milhões de euros, estando no primeiro semestre desta no crescer "a dois dígitos", segundo o presidente da empresa, que investe cerca de 40 milhões por ano em investigação, correspondente a 20% da sua faturação.
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