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Correio da Manhã

Sociedade
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Câmaras retiram areia da Lagoa de Óbidos para proteger desova de bivalves

Intervenção tem uma duração estimada de 16 dias e um investimento previsto de 45 mil euros.
Lusa 8 de Maio de 2020 às 15:52
Lagoa de Óbidos
Lagoa de Óbidos
As câmaras de Óbidos e das Caldas da Rainha estão a retirar areia da Lagoa de Óbidos para impedir o fecho da ligação ao mar e a morte de bivalves que se encontram em fase de desova.

"Havia um risco iminente de assoreamento da aberta [canal que liga a lagoa ao mar] e do fecho da embocadura, o que determinou uma intervenção preventiva com meios das autarquias" disse hoje à agência Lusa do presidente da câmara de Óbidos, Humberto Marques (PSD).

A retirada de areia do corpo da lagoa, com recurso a quatro dumpers e duas máquinas giratórias cedidas pelas duas câmaras ribeirinhas, visa "impedir o fecho da aberta [canal que liga a lagoa ao mar] para impedir o aquecimento da água que seria particularmente grave nesta altura em que muitas espécies estão na época da desova".

O alerta dado pela Associação de Pescadores e Mariscadores da Lagoa de Óbidos levou as duas autarquias a solicitarem uma análise por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que tutela aquele ecossistema.

A intervenção tem uma duração estimada de 16 dias e um investimento previsto de 45 mil euros, suportado pelas autarquia, mas que "será depois candidatado a uma comparticipação da APA".

Esta intervenção na aberta "não dispensa a realização das grandes dragagens que aguardam o visto do Tribunal de Contas (TdC)", disse à Lusa o presidente da câmara das Caldas da Rainha, Fernando Tinta Ferreira (PSD), esperando que "não se verifique um grande atraso em relação à data que estava prevista".

A segunda fase das dragagens da Lagoa de Óbidos, um investimento de 16 milhões de euros previsto para fevereiro, sofreu uma derrapagem, tendo a APA estimado na altura que a obra arrancasse em maio.

Humberto Marques disse hoje não acreditar que a intervenção se inicie "antes de julho" e alertou para "a necessidade de a APA honrar o compromisso de alargar a obra até embocadura da aberta", já que, "se for cumprido apenas o plano de dragagens previsto, mantém-se o risco de significativo assoreamento da lagoa, em cujo corpo são já visíveis várias coroas de areia".

O concurso para a dragagem da zona superior da Lagoa de Óbidos foi lançado em fevereiro de 2019 pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

A empreitada inclui, além das dragagens de cerca de 558 metros cúbicos de areia, a valorização de uma área de 78 hectares a montante do Rio Real.

A obras é cofinanciada em 85% através do PO SEUR (Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos), sendo a contrapartida nacional assegurada pela APA.

A intervenção sucede à primeira fase das dragagens, durante a qual foram retirados 716 mil metros cúbicos de areia da lagoa para combater o assoreamento que periodicamente fecha o canal de ligação ao mar [a denominada 'aberta'], pondo em causa a subsistência dos bivalves.

A Lagoa é Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área de 6,9 quilómetros quadrados que fazem fronteira terrestre com o concelho das Caldas da Rainha, a norte (freguesias da Foz do Arelho e do Nadadouro), e com o concelho de Óbidos, a sul (freguesias de Vau e de Santa Maria).

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