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Correio da Manhã

Sociedade

Catástrofe ambiental com seca no rio Tejo

Em algumas zonas e em algumas horas do dia pode-se atravessar o leito do rio a pé.
José Durão 2 de Abril de 2019 às 01:30
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Em algumas zonas e em algumas horas do dia pode-se atravessar o leito do rio a pé.
Caso a seca continue e nada seja feito, a redução dos caudais do Tejo pode causar uma "catástrofe ambiental".

Quem o diz são os ambientalistas do Movimento Pelo Tejo, plataforma de cidadãos preocupados com o efeito da poluição e das alterações climatéricas no rio.

Na zona do Carregado (Alenquer), o rio corre com menos água que o costume, mas a situação ainda não parece crítica. Porém, quanto mais nos afastamos da foz, mais notório é o problema - nalguns locais a falta de água permite que o rio seja atravessado a pé.

Em Constância, onde o Zêzere se encontra com o Tejo, a falta de água é notória nos dois rios. O açude de Abrantes é um dos poucos pontos do rio que ainda concentram água.

Para Manuel Gonçalves, nascido na outra margem, no Rossio ao Sul do Tejo e residente em Alferrarede, o problema começou há mais de 10 anos - e não há perspetiva de melhorias.

"Há 50 anos, mesmo sem açude, havia sempre caudal suficiente nesta altura do ano", diz. "Agora, se não chover, não sei o que vai acontecer", admite. Na zona, os pescadores queixam-se de que as condições do rio estão a fazer desaparecer as lampreias.

A situação de seca que se tem feito sentir na Península Ibérica obrigou as autoridades espanholas a reduzir o fluxo de descargas das suas barragens no Tejo, que registaram uma quebra dramática em março.

Nuclear em Almaraz é "um risco enorme"
O presidente da Comissão Parlamentar do Ambiente mostrou-se preocupado que as empresas espanholas que gerem a central nuclear de Almaraz, localizada a 100 quilómetros de Portugal, tenham acordado manter a operação para além dos 40 anos.

"É um risco enorme para o rio Tejo e toda esta região", afirmou Pedro Soares. A Comissão Parlamentar está de visita aos municípios situados ao longo do rio para se inteirar da seca na região.

Comissão equaciona barragem do Alvito
O projeto da barragem do Alvito, em Castelo Branco, voltou esta segunda-feira à ordem do dia durante a visita da Comissão Parlamentar a Vila Velha de Ródão, para se inteirar das condições do Tejo.

Pedro Soares, do BE, acredita que a barragem pode "ajudar a regularizar o caudal do rio Tejo".

SAIBA MAIS 
47,4
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a temperatura mais alta em Portugal foi 47,4o C, na Amareleja (Moura), a 1 de agosto de 2003. No ano passado, no início de agosto, vários locais ultrapassaram os 46o C.

Inverno seco

O inverno 2018/2019 em Portugal continental foi quente e o 4º mais seco do século, encontrando-se todo o território em seca meteorológica devido aos baixos valores de precipitação, segundo o IPMA.
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