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Correio da Manhã

Sociedade

Confirmados mais dois casos suspeitos de coronavírus em Portugal

Ambos os suspeitos de coronavírus foram encaminhado para o Hospital Curry Cabral.
Correio da Manhã 4 de Fevereiro de 2020 às 18:28
Hospital Curry Cabral
Coronavirus
Hospital Curry Cabral
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Hospital Curry Cabral
Coronavirus

A Direção-Geral da Saúde confirmou esta terça-feira mais dois casos suspeitos de coronavírus (2019-nCoV) em Portugal. Ambos os suspeitos de coronavírus são do sexo masculino. Tratam-se de dois portugueses com 40 e 44 anos, residentes na zona da Grande Lisboa.

Os casos foram confirmado após avaliação clínica e epidemiológica. Os doentes foram encaminhado para o Hospital Curry Cabral, unidade de referência para estas situações.

Será realizada a colheita de amostras biológicas para análise pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, segundo avança a DGS.

De acordo com a DGS, todas as medidas que foram tomadas anteriormente vão ser mantidas e, como explicou Graça Freitas, os casos foram identificados nas "últimas duas horas". 

Assim que surjam as amostras biológicas, a DGS garante que irá informar se são casos positivos ou negativos. 

Até ao momento não existem indicações internacionais para realizar um rastreio. "Não é por ser asiático que constitui um risco para a população", garantiu a Direção-Geral da Saúde. 

Os dois casos são distintos, mas ambos os suspeitos estão estáveis. 

"Ambos os casos vão ser internados no Hospital Curry Cabral [...] e vão seguir depois o protocolo analítico no INSA e obviamente as autoridades de saúde farão a deteção e eventual vigilância dos contactos destes dois doentes. Não sabemos se têm infeção pelo novo coronavírus ou por outro agente microbiológico. Vamos aguardar com serenidade o internamento e a realização dos exames", disse Graça Freitas, que adiantou que os casos foram validados pelas autoridades nas duas horas anteriores à conferência de imprensa, que começou às 19:00.

Um dos casos validados para investigação é o de um homem que era contacto do grupo de cidadãos alemães contagiados no decurso de uma formação na Alemanha, ministrada por um funcionário da empresa que viajou da China para o efeito.

A diretora-geral de saúde explicou que o cidadão português de 40 anos foi colocado em vigilância no regresso a Portugal e que foi o sistema de monitorização que permitiu a deteção precoce dos sintomas.

Para os dois casos agora em investigação devem ser conhecidos os resultados das análises clínicas nas próximas horas, adiantou Graça Freitas.

Sobre a repetição das análises ao grupo de 20 pessoas em internamento voluntário, depois do repatriamento de Wuhan, Graça Freitas referiu que esta acontecerá "em momento oportuno" e "na altura em que os especialistas considerem que é mais pertinente fazer-se de acordo com a melhor evidência que houver disponível".

"Não será antes de 72 horas", precisou Graça Freitas, em referência ao momento em que foram feitas as primeiras análises.

Acrescentou ainda que o caso do doente belga que viajou no mesmo avião não altera a avaliação de risco.

Sobre o grupo em quarentena, o secretário de Estado da Saúde sublinhou que "estão bem e tranquilos, assintomáticos e bem-dispostos" e que Portugal continua a não registar nenhum caso confirmado de infeção.

Sobre a reunião que hoje decorreu com 20 peritos institucionais do Conselho Nacional de Saúde, que António Sales considerou ter sido "positiva e importante", não saíram conclusões, mas reforçou-se a "importância de se manter uma boa comunicação, evitando situações de pânico desnecessárias, mas mantendo a necessária vigilância".

Graça Freitas deixou ainda um "apelo ao bom-senso" dos portugueses, pedindo-lhes que não discriminem cidadãos asiáticos ou provenientes de países asiáticos, lembrando que todas as pessoas podem viajar livremente, quando querem e para onde querem.
Estes dois novos casos elevam para quatro os casos suspeitos em Portugal, sendo que os dois primeiros tiveram resultados negativos e os novos serão agora sujeitos a testes clínicos e epidemiológicos.

O primeiro caso foi reportado a 26 de janeiro num homem regressado da China e que esteve sob observação no Hospital Curry Cabral, por suspeita de infeção pelo novo vírus detetado naquele país e o segundo deu-se com um cidadão de nacionalidade estrangeira que deu entrada no Hospital de São João, no Porto, em 31 de janeiro.

O novo coronavírus (2019-nCoV), que surgiu em dezembro passado em Wuhan, capital da província de Hubei, centro da China, já provocou 426 mortos e infetou mais de 20.400 pessoas.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais casos de infeção confirmados em 24 outros países.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou na passada quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Em atualização

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